30/01/2010

A CAPELLA

The Duke Pitchforks, é um grupo de estudantes da Duke University, situada na cidade de Durham, North Carolina, USA.

O grupo foi formado apenas por homens para cantar informalmente, a capella (o termo a cappella refere-se à música vocal sem acompanhamento instrumental. Este termo é proveniente da Itália, que, traduzindo ao português, significa "como na capela", pois as igrejas cristãs cantavam sem o acompanhamento de instrumentos musicais durante o seu primeiro século de existência. São exemplos de composições a cappella os motetos e os Madrigais), que começou a cantar junto em 1979. Eles foram reconhecidos como uma organização estudantil em 1981. Seus fundadores oficiais são Robert S. Clarke, Frank E. Block, James Bulleit, Eliot McCrory, e Kurt T. Uphoff.

No seu repertório conta uma variedade de canções populares e clássicas em vários estilos musicais inclusive baladas, jazz, blues, gospel, popular, e canções de barbearia tradicionais. Os Pitchforks se apresentam em hospitais, centros de recuperação, hotéis, clubes privados, casamentos, e em outros campus de faculdades.

O blog separou para você um medley dos Beatles cantado por ele. Curta!

The Duke Pitchforks - Beatles (a capella)

25/01/2010

O DISCO

É uma pena que não se perceba muito bem, mas esta é uma fotografia do disco mais raro da Terra. E está autografada por John Duff Lowe. Quem é ele? Continue a leitura...

Trata-se de um disco único, atualmente na posse de Paul McCartney. O disco foi gravado em 1958 pelo conjunto Quarry Men, no estúdio caseiro de um aborrecido Percy Phillips, em Kensington, Liverpool.

É um 78 rotações em goma-laca e contém no lado A "That'll Be The Day", de Buddy Holly, e no lado B "In Spite Of All Danger", a única canção composta pela dupla McCartney/Harrison.

Pelo preço que pagaram, não foi permitido aos componentes do conjunto nenhum erro, além do quê a música que comporia o lado B foi decidida no momento da gravação! Lowe e Hanton sequer tiveram tempo de ouví-la antes de gravar! Quem é Hanton? Continue...

O disco tem 10 polegadas de diâmetro e está escrito à mão por Paul McCartney, sem indicação do nome do grupo. Foi gravado por menos de €1,5, a preços atuais. Aliás, o disco só foi entregue aos rapazes quando o proprietário do estúdio, aquele aborrecido Percy, recebeu o €1,5, o que ainda demorou algumas semanas.

O Quarry Men era formado por John Lennon, 17 anos - 09/10/40 (guitarra), Paul McCartney, 16 anos - 18/07/42 (guitarra), George Harrison, 15 anos - 25/02/43 (guitarra), John Duff Lowe, 12 anos - 21/07/45 e o protagonista do autógrafo (piano) e Colin Hanton, 19 anos - 12/12/38 (bateria). Pronto!

Colin Hanton e John Duff Lowe em 2.008, em frente ao antigo estúdio de Percy

O disco circulou por todos os membros da banda e ficou esquecido durante 23 anos em casa de John Duff Lowe, que o cedeu (por uma nota preta, presume-se) a Paul McCartney em 1981.

"-Quanto Paul pagou pelo disco é um segredo entre mim e ele.", disse Lowe.

A "Record Collector", que sabe dessas coisas, diz que o disco não tempo preço. Assim que colocou a mão na raridade, Paul encomendou 50 réplicas e ofereceu-as de presente de Natal a George Harrison e Ringo Starr (John Lennon já tinha sido assassinado), a amigos e família. Este número restrito de cópias tem o segundo maior valor de mercado da história do disco, a seguir do original. A "RC" estima que cada réplica vale umas £10.000.

Em 1995, os Beatles incluiram as duas canções no primeiro volume da "Anthology". Quer ouví-las tais como estão no disco original? É só aumentar o volume e clicar abaixo:

That'll Be The Day


In Spite Of All The Danger

05/01/2010

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE MARTHA

Eu já tinha acostumado com ela e até tinha dado-lhe um nome: Ivy. Lembro-me bem deste dia em 1970, quando Mr. Mal Evans bateu palmas à porta. Nossa campainha havia estragado devido a uma chuva insistente no dia anterior - havia tempos que não chovia tão ininterruptamente assim num verão londrino - e por isso Lena, a governanta brasileira, foi até o portão de madeira e o abriu. Eu estava no alpendre, entretido com o preenchimento de um álbum de figurinhas dos tri-campeões mundiais de futebol - a figurinha do Tostão era a mais engraçada -, e Ivy, minha cachorrinha, pulava nas minhas pernas e fazia com que os cromos repetidos se espalhassem pelas escadas, que davam para o jardim, num típico e alegre alvoroço de cachorrinho recém-nascido.

De longe vi aquele homem gigante no portão, a cabeleira loura e uns óculos pretos muito gozados. Chamou-me também a atenção aquele paletó quadriculado e calças pretas um tanto quanto curtas, haja vista que suas meias apareciam quando ele nervosamente mexia nos bolsos enquanto falava.

"- Big Charles! Esse senhor quer falar com o seu pai! Vá chamá-lo! Ele está no escritório!" - Era sempre assim que Lena falava, apesar de papai ter lhe falado inúmeras vezes sobre a maneira britânica de atender pessoas, mas o seu jeitão carioca nunca mudava ou sumia e, invariavelmente, ela gritava mesmo e quando andava gingava sensualmente os seus quadris num passo de mulata corpulenta e bonita - para desespero dos meus pais e felicidade total de professores e colegas de papai, que vinham para conversar sobre trabalho ou estudos.

Olhei mais uma vez para o gigante, que esboçou um tchauzinho, e fui procurar papai.

Estávamos havia três anos em Londres; papai trabalhava com a bolsa de valores e concluía um estudo na cidade, juntamente com outros companheiros de várias cidades do Brasil e da Argentina.

Papai estava ouvindo o disco novo de George Harrison, 'All Things Must Pass', e cantarolava alegremente, enquanto mexia nos livros, a linda 'Beware Of Darkness'.

"-Pai!" - Gritei também.

"- Ôi, Big Charles! Depois eu quero que você ouça esse disco do George. Está fantástico! Putz-grila! Eu sempre soube que George era um gênio, mas nunca pensei que ele tivesse tantas músicas assim guardadas na manga! Só falta o Ringo lançar um disco de samba agora!".

"- Pai! Há um homem lá fora querendo falar com o senhor!".

Papai quase caiu de costas quando o homem se apresentou como Mal Evans, praticamente o escudeiro-mor dos Beatles. Mal Evans, o homem que resolvia inúmeros e variados pepinos em que os Beatles poderiam estar envolvidos. Inclusive - fiquei sabendo depois - figurava nos créditos do próprio 'All Things Must Pass' como o homem que servia o chá. Eu achava muito engraçado alguém se chamar 'Mal' e porque não 'Bem', afinal era tão óbvio que o 'Bem' era muito melhor!

Não gostei nada quando o papo ganhou ritmo e os olhos deles não saíam da minha cadela Ivy. Após alguns minutos, com muito jeito, meu pai veio me dizer que a Ivy era irmã da cadela de Paul McCartney, Martha, e que Martha havia morrido misteriosamente no dia anterior. Paul e Linda estavam chegando de viagem hoje e Mal não queria entristecê-los com uma notícia ruim. Mr. Evans havia procurado a fazenda onde ele comprou Martha, mas já não havia mais nenhum filhote. Então deram a ele o endereço de quem havia comprado a última cadelinha... Entendi tudo e, apesar de ter chorado um pouco, deixei que Ivy partisse e se transformasse em Martha. Quando meu pai tentava me convencer ele fixava bem nos meus olhos e dizia quase implorando: "- É para o Paul, Big Charles! É para o Paul!".

Não sei até hoje se algum dia o Paul notou que a sua Martha, daquela época, era na verdade a minha Ivy. Provavelmente não, pois elas eram muito pequenas e talvez ainda não tivessem desenvolvido alguma personalidade canina peculiar. Vai saber...

Hoje quando ouço 'Martha My Dear' do 'White Album' eu canto Ivy My Dear (apesar de 'Martha My Dear' ter sido composta para uma Martha anterior), porém aquela cadela que sempre aparece em fotos com Paul será uma e única: Martha para todos, Ivy para mim.

Ivy My Dear