13 de ago de 2014

GEORGE FALA SOBRE O ÁLBUM ABBEY ROAD

Em setembro de 1969 George Harrison comentou cada faixa do álbum Abbey Road e foi matéria da Revista Vigu Especial de 1976: 

Na época do lançamento do disco, George fez uma análise, descrevendo faixa por faixa:

LADO A 

Something’ – “É uma música minha. Eu a escrevi quando nós estávamos terminando o último álbum, o White Album. Mas nunca a terminava. Nunca conseguia encontrar as palavras certas para ela. Joe Cocker fez uma versão também, e há conversas de que será o próximo compacto dos Beatles (e foi LADO A). Quando a gravei, pensei em alguém como Ray Charles fazendo a música, pensando na sensação que ele deveria ter. Mas como não sou Ray Charles, sou muito limitado, nós fizemos o que podíamos. É um bom pensamento e, provavelmente, a melhor melodia que já escrevi.” 

Maxwell’s Silver Hammer’ – “ É algo só de Paul, passamos um diabo de tempo gravando. É uma daquelas músicas que se assovia instantaneamente, algumas pessoas vão odiar e outras vão amar. É como ‘Honey Pie’, um tipo de coisa divertida, mas provavelmente vai pegar, porque na história o camarada mata todo mundo. Usamos meu sintetizador moog e eu acho que saiu com grande efeito.” 

Oh! Darling’ – É outra música de Paul, típica dos anos 50/60, principalmente nos acordes. É uma música típica da época dos grupos Moonglows, Paragons, Shells e tudo o mais. Nós fizemos alguns oh, oohs no vocal e Paul gritando.” 

Octopus Garden’ – “É de Ringo, a segunda que escreveu. É linda. Ringo fica chateado só tocando bateria. Ele toca piano em sua casa, mas só conhece três acordes. E ele sabe o mesmo na guitarra. Gosta principalmente de música country, tem um sentimento bem country. É realmente uma grande música. Superficialmente, é uma música boba e infantil, mas acho a letra muito significativa. Ringo escreve suas músicas cósmicas sem saber. Eu encontro significados profundos em suas letras e provavelmente ele nem sabe disso. Linhas como ‘Resting our head on the seabed’ (descansando nossa cabeça no leito do mar) e ‘we’ll be warm beneath the storm’ (nós estaremos aquecidos debaixo da tempestade) fazem com que eu entenda que quando se chega dentro de nossa consciência, tudo é muita paz. 

I Want You (She’s so heavy)’ – “É uma música bem forte. Foi John quem tocou guitarra solo e cantava. Isso é bom porque a frase-solo que ele toca é basicamente blues. Mas é uma música muito original do tipo Lennon, tem algo de espantoso no seu ritmo; ele sempre cruza algo, coisas diferentes no ritmo, por exemplo ‘All You Need Is Love’, da qual o tempo vai de 3-4 para 4-4, mudando o tempo todo. Quando você pergunta para ele sobre isso, ele não sabe como. Faz naturalmente. No instrumento inicial e nos intervalos, ele criou uma excelente sequência de acordes.” 

LADO B 

Here Comes The Sun’ – “É a primeira faixa do lado B. É uma música que escrevi para este álbum. Eu a fiz em um dia ensolarado no jardim de Eric Clapton. Nós tínhamos passado por muitos problemas nos negócios (A Apple estava praticamente em convulsão), e tudo era muito pesado. Estar no jardim de Eric Clapton era como fazer bagunça depois da escola. Eu senti um tipo de alívio e a música saiu naturalmente, é um pouco parecida com ‘If I Needed Someone’, com aquele tipo de solo correndo por ela. Mas, realmente, é muito simples.” 

Because’ – “É uma das coisas mais bonitas que fizemos. Tem uma harmonia de três partes – John, Paul e eu. John escreveu a música, e o acompanhamento é um pouco parecido com Beethoven. Assemelha-se com o estilo de Paul escrever, mas só por causa se sua suavidade. Paul geralmente escreve coisa mais suaves e John é mais delirante, mais pirado. Mas, de tempos em tempos, John gosta de escrever uma música simples de 12 compassos. Acho que é faixa de que mais gosto do álbum . É tão simples, especialmente a letra. A harmonia foi muito difícil de ser feita, tivemos que aprendê-la mesmo. Eu acho que vai ser a música que impressionará a maioria das pessoas. Os pirados vão entender e os caretas, pessoas sérias, e críticos, também. Depois vem a seleção de músicas de John e Paul, todas juntas. É difícil descrevê-las sem que se ouça todas juntas. 

You Never Give Me Your Money’ - Ela parece ser duas músicas, uma completamente diferente da outra. Em seguida vem ‘Sun King’ (Rei Sol) que John escreveu. Originalmente, ele a tinha chamado de ‘Los Paranoias’.” 

Mean Mister Mustard e Polytheme Pam’ – “São duas músicas pequenas que John escreveu na Índia, há 18 meses.” 

She Come In Through the Bathroom Window’ – “É uma música muito boa de Paul com uma boa letra.”

Golden Slumbers’ – “É outra música muito melódica de Paul que se encadeia.” 

Carry The Weight’ – “Fica entrando por todo o tempo (medley)."

The End’ – “É o que é: uma pequena sequência que finaliza tudo. Eu não consigo ter uma visão completa de ‘Abbey Road’. Com ‘Pepper’s’, e até o álbum branco, eu tive uma imagem do começo ao fim do produto, mas nesse disco eu ainda estou perplexo. Acho que é um pouco parecido com ‘Revolver’, não sei direito. Não consigo realmente ainda vê-lo como uma entidade completa.” 

Por George Harrison, setembro de 1969 
Fonte: Revista Vigu Especial de 1976
Direto do blog da Lucinha Zanetti: http://bit.ly/1p5KRuc 



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11 de ago de 2014

ROBIN!

E hoje, 11 de agosto de 2014, perdemos o incrível ator Robin Williams!

Impossível não se emocionar nos seus incontáveis filmes. Atuações fantásticas, dramáticas, cômicas, enfim, um ator completo!

E o Beatlebox faz uma homenagem a Robin, postando sua participação não menos sensacional no álbum do produtor dos Beatles, George Martin, chamado In My Life de 1998.

Ali, Martin reuniu uma variedade inesperada de instrumentistas, cantores e vocalistas não cantores, todos interpretando músicas dos Beatles. 

E Robin, junto de Bobby McFerrin, transitou muito bem por Come Together! R.I.P. Robin! We love you!