17 de out de 2015

HEAVY COME TOGETHER!

Por Guilherme Spiazzi, na Whiplash

Os Beatles são muito melhores que The Rolling Stones. Você concorda? 

Segundo o vocalista e produtor Alexei “Xei” Leão (XEI, Stormental), que proferiu a frase no lançamento do seu novo trabalho, sim. 

Trata-se do Projeto ILL criado no Institute of Audio Research em Nova York (EUA). O projeto que conta com Xei (vocal), Lexi Grech (guitarra), Vicente Tiburcio (baixo) e Iain Fraser (bateria e programação) acaba de lançar uma versão moderna e pesada do clássico Come Together do The Beatles. 

A produção é de Iain da música e a animação em 3D e videoclipe que você confere abaixo foram feitos por Alexei. Curta!



  Ill: Uma versão mais pesada de hit dos Beatles 
http://whiplash.net/materias/news_798/232167-ill.html#ixzz3opyz1cVV 
 Follow us: @Whiplash_Net on Twitter 
Whiplash.Net.Rocksite on Facebook

7 de out de 2015

MACCA & JACKO - SAY SAY SAY [REMIX 2015]

Uma das melhores coisas do mundo é deparar com pérolas que estavam guardadinhas e que aos poucos vêm à luz. 

É o caso do remix da canção Say Say Say, de Paul McCartney e Michael Jackson, que foi lançada oficialmente no álbum de Paul, o Pipes Of Peace, em 1983 e agora, em 2015, num estupendo clipe . Curta!

23 de set de 2015

FOTOS DE UMA DAS ÚLTIMAS ENTREVISTAS DE LENNON VÃO A LEILÃO

Fotos de John Lennon, feitas dois dias antes ele foi assassinado, estão em leilão. 

As fotografias mostram Lennon no Hit Factory, em Nova York, sendo entrevistado pelo DJ britânico Andy Peebles. 

As imagens inéditas foram tiradas pelo fotógrafo e produtor da BBC Paul Williams e  têm um preço inicial de US $ 14.000 (£ 9,000). Qual é o seu lance? (Clique nas fotos para aumentá-las).






20 de set de 2015

RINGO, EU TE AMO

Sob o pseudônimo de Bonnie Jo Mason, uma adolescente de nome Cher gravou uma música num single chamada Ringo, I Love You (Yeah! Yeah! Yeah!).

Este foi o primeiro disco de Cher e foi lançado em 1964, pela Annette Records, com Beatle Blues (instrumental) no outro lado. 

Sonny Bono, que viria a ser o marido de Cher, trabalhou como assistente junto ao produtor Phil Spector e ajudou a conseguir um emprego para ela como um backup de cantora de estúdio. 

A composição de Ringo, I Love You (Yeah! Yeah! Yeah!) é creditado a P. Spector - P. Case - V. Ponciá - P. Andreoli. Você sabia? Ouça!



E aqui, o outro lado do single, com Beatle Blues!



Link de Ringo, I Love You (Yeah! Yeah! Yeah!) enviado pela querida Talma Lennon.

17 de set de 2015

RELANÇAMENTO DE PIPES OF PEACE

Mês que vem, Paul relançará os álbuns solo Tug of War (1981) e Pipes of Peace (1982).

Seguem agora fotos de Linda McCartney, da sessão que escolheria a capa do álbum Pipes of Peace, e a canção que dá título ao álbum, remasterizada. Curta!





15 de set de 2015

14 de set de 2015

TOMMY

Tommy Emmanuel em Day Tripper / Lady Madonna! Yeah!



Link enviado pelo amigo Aurélius Di Átila

2 de set de 2015

BEATLEHISTÓRIAS DO MAESTRO BETO! NÚMERO 01

Maestro Beto - na Inglaterra - com seu ídolo maior!
Hoje o Beatlebox traz uma história muito legal sobre os Beatles! Do acervo monumental do querido maestro Beto Iannicelli! Vamos lá! 

GALERA BEATLEMANÍACA! 

A pergunta: 

"Houve um lugar na vida do John, que ele e alguns "amigos" batizaram de "Montinho". Onde ficava esse lugar e qual história está vinculada a ele?" 

Resposta: 

"Na época em que John tinha 15 anos, a loucura deles era a Rádio Luxemburgo que, pra delírio de todos, trazia todos os grandes sucessos americanos do momento: Bill Haley, Fats Domino, Lavern Baker, Carl Perkins, The Platters e dezenas de outros astros americanos. 

Nenhum deles perdia uma transmissão. Para o John, aos 15 anos, a transmissão era um tipo de bênção! O verão levava a todos pra fora de casa onde a sintonia da rádio melhorava muito. 

John Lennon e amigos de infância
Os meninos, John, Pete Shotton, Len Garry e Bill Turner, todos os dias se reuniam num lugar que eles batizaram de "Montinho", que era uma rampa suave de grama que servia de mirante no lindo Calderstone Park

A vista era perfeita em todas as direções. John tinha ganhado uma gaita Hohner e todos ficavam no Montinho fazendo o quê? Cantando! 

Acontece que, naquela época, cantar não era "coisa de macho", pois não se encaixava na postura de bad boys. Então, no Montinho, eles podiam ver qualquer um que se aproximasse e se alguém aparecesse eles imediatamente paravam de cantar e reassumiam suas poses de meninos maus! O Montinho ficava na Menlove Avenue, próximo às casas de todos eles e presenciou as primeiras cantorias da molecada, dentre eles, a de um certo John Lennon!". 

Espero que tenham gostado!

Beto Iannicelli

26 de ago de 2015

GILMOUR CANTA BEATLES

Ouça uma releitura de David Gilmour (Pink Floyd) da canção Here, There And Everywhere, de Lennon/McCartney! Curta!

13 de ago de 2015

A ESTRANHA GUITARRA DE LENNON: A SARDONIX

Pense em guitarras de John Lennon e provavelmente virão à sua mente a Casino Epiphone e talvez a Rickenbacker 325, ou ainda a Gibson J-160-E eletro-acústica. 

Você quase certamente não pensará numa Sardonyx 800 D II...

John e sua Sardonix

Mas como mostra a fotografia acima, John utilizou a Sardonyx durante as gravações do seu último álbum, de 1980, o Double Fantasy.   

Então, o que é essa guitarra exatamente?   

Como se pode ver, a Sardonyx é algo meio misterioso mesmo. Seu construtor, que prefere permanecer desconhecido, era um reparador de guitarras na loja de Matt Umanov, em West Village, Manhattan, nos inícios dos anos setenta. Ele construiu suas guitarras 'sardônicas' em casa e vendeu-as através de Umanov, o que é mais provável de ser o local onde John adquiriu a sua.   

"O cara que fez esta guitarra e eu íamos ao Brooklyn High School Tecnology juntos no metrô todos os dias", disse Umanov à revista Guitar Aficionado. "Vendemos algumas através da minha loja e John Lennon terminou com uma, pois tinha um apartamento a poucos quarteirões de distância e vinha até a loja várias vezes."   

Desde os primeiros dias dos Beatles, John esteve à procura de novos sons, e o design incomum da Sardonyx provavelmente o levou a querer um desses instrumentos. Embora a guitarra pareça ser feita de um material sintético, ela realmente possui um corpo de madeira e um braço de ébano. O acabamento preto fosco tem um verniz laca espesso que dá à Sardonyx uma aparência de plástico.

Guitarras elétricas são tão incomuns quanto a sua aparência. Seus dois captadores Bill Lawrence estão conectados a um sistema de fiação complexo, três de saída que permite ao músico enviar combinações de captação completamente independentes, incluindo diferente fase inversa e configurações paralelas em série, a duas saídas estéreo independentes ou para uma única saída mono. Outras características incluem hardware Schaller, um par de barras de aço inoxidável outrigger com pés de borracha anti-derrapante, e um braço balanceado ajustável na parte superior.   

"Naquela época, o Brooklyn Tecnology ainda era baseado nos currículos dos anos vinte e trinta, incluindo uma grande quantidade de material técnico, como uma oficina mecânica, desenho técnico e padrões de fabricação.", diz Umanov. "Houve até uma fundição. Você pode ver tudo isso na formação, na concepção e na feitura desta guitarra. Se você olhar para o trabalho de alguns dos mais famosos designers industriais de todos os tempos, como Raymond Loewy, que desenhou os Studebakers mais emblemáticos, ou Henry Dreyfuss, que projetou os telefones da princesa, as linhas são afiadas e deliberadas, tal como são nesta guitarra. "   

Apenas 15 a 20 do Sardonyx 800 D II foram construídas, tornando-se uma das guitarras mais raras associados a Lennon, uma lenda da guitarra, que permaneceu um direito original até o fim de sua vida.

Ouça e veja agora John Lennon, num registro de suas últimas imagens, tocando a canção I'm Losing You, numa gravação feita durante a produção do disco solo Double Fantasy, no estúdio The Hit Factory, em Nova York, nos Estados Unidos, em 1980. Yeah!


Fonte enviada pelo querido maestro Beto Iannicelli: 
http://www.guitarplayer.com/gear/1012/john-lennons-weirdest-guitar-the-sardonyx/49784 

2 de ago de 2015

ADEUS CILLA

Faleceu hoje, 2 de agosto de 2015, na sua casa na Espanha, a cantora britânica Cilla Black

Nascida Priscilla Maria Veronica White (27 de maio de 1943), ela foi a segunda maior estrela a emergir do cenário de Liverpool depois dos Beatles

Quando criança, foi encorajada a começar a cantar pelos pais, e nos anos 60, determinada a entrar para o show business, arrumou um emprego de garçonete no famoso Cavern Club em Liverpool, onde os Beatles tocavam regularmente. 

Ela conseguiu os impressionar, começando sua carreira com apresentações de improviso no Cavern. Foi o início de uma longa amizade com os Beatles - John Lennon convenceu Brian Epstein a gerenciar Cilla (e a mudar seu nome de Cilla White para Cilla Black) e ela ganharia algumas composições de Lennon e McCartney para gravar. 

Mas o sucesso só viria um ano depois disso, em 1964, quando ela gravou "Anyone Who Had a Heart", de Burt Bacharach e Hal David. Outras de suas canções mais conhecidas, e que a tornaram famosa ao redor do mundo foram "You're My World", "Alfie" e "Step Inside Love (Lennon/McCartney)". 

Aqui vemos Cilla, junto de Marvin, Welch & Farrar, interpretando Norwegian Wood, de Lennon e McCartney. R.I.P. Cilla!

24 de jun de 2015

STICK

Robert Culbertson executa a linda While My Guitar Gently Weeps num instrumento chamado Stick Chapman, inventado por Emmett Chapman. Maravilha. Curta!


 Link enviado pela linda e querida Roberta Azevedo

25 de mai de 2015

TEMPORARY SECRETARY!

E recentemente na turnê de Paul, ele tocou ao vivo, pela primeira vez!, a canção Temporary Secretary, do álbum McCartney II, de 1980! Foi em Londres. Yeah!

1 de abr de 2015

CANÇÃO DO NOVO ÁLBUM DO RINGO

Linda canção, Not Looking Back, do novo álbum do Ringo, Postcards From Paradise, lançado ontem, dia 31 de março. Curta! Yeah!

25 de mar de 2015

RINGO RAMA 12 ANOS!

Hoje o excelente álbum Ringo Rama completa 12 anos! E o blog Beatlebox traz para você a canção Eye To Eye, com Ringo na sua melhor forma vocal e mandando muito na bateria! Viva! Curta!

23 de mar de 2015

O BEATLE PALESTINO

Por Ademir Luiz*

Os Beatles são mais populares que Jesus Cristo. E não sei o que vai acabar primeiro, se o rock and roll ou o cristianismo.” [John Lennon] 

St. George, St. Paul, St. John e St. Ringo
Aquilo que antigamente chamávamos de Igreja Anglicana já estava extinta há séculos quando foi oficializado o culto aos Beatles na velha Inglaterra. Na realidade, não havia mais nenhuma das antigas instituições. Recomeçávamos a civilização, praticamente, do zero. Sabiamente, o novo governo que se instituía percebeu que não bastava apenas reerguer os prédios em ruínas e voltar a cultivar os campos abandonados às plantas daninhas. Sim, o populacho estava nu e faminto, mas não precisava somente cobrir e alimentar o corpo. Necessitava, sobretudo, de alimentar e aliviar o espírito. As muitas décadas de seguidas desgraças avivou-lhes o instinto de sobrevivência, mas não os privaram de suas naturais necessidades emocionais. 

Sentiam falta de religião, sentiam falta de cultuar algo maior do que eles próprios, sentiam falta do inexplicável agindo em suas vidas. Em suma, o forçoso materialismo dos últimos tempos não curou a inata irracionalidade humana. Precisávamos remediar a situação em nome da ordem e do progresso. 

Tínhamos que lhes dar ídolos, dar-lhes uma mitologia, dar-lhes uma entrada para o mundo transcendente; para que se esquecessem do trágico passado recente e tivessem forças para olhar para o futuro, que poderia ser promissor. 

Assim, combateríamos os surtos de barbárie que assolavam certas regiões e, quem sabe, talvez até conseguíssemos diminuir o número de suicídios. Precisávamos de tantos braços para trabalhar quanto fossem possíveis e não podíamos dar-nos ao luxo de perdê-los por banalidades emotivas. 

A primeira opção, logo descartada, foi utilizar uma obscura lenda de um rei bretão, talvez chamado Lancelot, que governou a ilha depois de retirar de uma árvore uma espada mágica que pertenceu a seu pai, um mago de nome Artur. A sugestão desagradou a muitos, pois os ingleses, tradicionalmente, sempre odiaram a monarquia. Não suportariam a ideia de adorar um rei que também é deus. Tivemos que buscar outras idéias. Decidiu-se, enfim, por usar o que estava mais fresco na memória coletiva do populacho: os Beatles. 

St. Beatles Cathedral
Os quatro jovens de longos cabelos, inspirados pela providência divina para produzir sons, origem de todas as coisas. Entidade quadrupla que juntos formam um deus uno perfeito. Quatro emanações dos atributos do eterno. John: emanação da ira. Paul: emanação do amor. George: emanação da paz. Ringo, o deus que matou a Besta e tomou seu lugar: emanação da potência. Eis os mistérios da nova fé. 

Lembro-me bem que a sugestão partiu dos deputados de Liverpool, então capital inglesa provisória, pois o lugar onde antes existia Londres existe agora uma cratera, quase um lago, devido a incessante torrente do Tâmisa. 

Como se sabe, os Beatles nasceram (evento chamado agora de Natividade) em Liverpool. Pesou bastante na decisão o fato de que seria conveniente instituir ao mesmo tempo em que o culto pessoal, também a adoração a uma cidade sagrada. Não se concebe uma divindade sem uma cidade santa, poderosa em sua força telúrica, para ser alvo das devotas peregrinações dos fieis. Algo que sempre ajuda no crescimento da economia, aumenta o fluxo de viajantes nas estradas e, por conseguinte, de moeda em circulação e de trocas comerciais. Liverpool, sendo uma cidade grande, com quase dez mil habitantes na ocasião, reunia todos os predicados estruturais para assumir este importante papel. 

Tivemos uma decisão feliz ao escolhê-la e escolher seus quatro rapazes. Não foi difícil instituir a nova religião. Sobretudo porque, ao contrário de quase todo o resto, não eram tão raras as imagens gráficas do quarteto. Felizmente, muitas delas sobreviveram aos grandes incêndios do início do século passado e, por mais sorte ainda, da proibição da posse de papel pintado pelos tiranos derrubados no início deste século. 

Diversos indivíduos, creio que sem saber bem o porquê, mas incentivadas pelos pais e avôs, que por sua vez foram incentivados por seus respectivos pais e avôs, guardavam com todo cuidado estas imagens a várias gerações. Exibiam-nas orgulhosos em encontros sociais, como objetos de imenso valor. Lembranças de um passado glorioso. 

Sabemos até que muitos foram os casos de assassinatos cometidos pela posse destas raridades, hoje relíquias. Já existia, portanto, um culto insipiente, extra-oficial. Seus rostos já eram vagamente conhecidos pelo populacho, como algo digno de admiração. Precisávamos apenas canalizar esse potencial sacro para algo organizado dogmaticamente. Criar suas verdades. Porém, se seus rostos eram de conhecimento vulgar o mesmo não se pode dizer de sua história. 

Provavelmente St. George
Para a esmagadora maioria das pessoas, os Beatles eram apenas sorridentes rostos sem passado. Não se sabe por que riem. Nem mesmo nossos cidadãos mais cultos tinham acesso a informações precisas sobre os Beatles. O material escrito disponível era irrisório. Com quase a totalidade de nossos livros destruídos a preservação de nossa tradição cultural tornou-se bastante deficiente. Possuímos apenas sombras, nuanças, fragmentos, de nosso passado, onde os Beatles foram personagens tão importantes. Restava, é claro, a tradição oral. Seus exageros gritantes, que para nós, homens cultos, constituíam em pecado, agradavam sobremaneira ao populacho. Deu-nos farto material para sua doutrinação. 

Baseados nestas parcas e maleáveis informações funcionários do governo, escribas, desenvolveram toda uma ortodoxia. Bela, sedutora e gloriosa coleção de narrativas sacras, de exemplos de vida, parábolas, fábulas, discursos, sermões; lidos inicialmente em separado e posteriormente reunidas em um único volume. O populacho chamou-o de White Book. É sempre melhor que eles mesmos o batizem. Mostra fé. Em toda esta mitologia religiosa nascente, nada era mais importante do que o fato de que os Beatles eram músicos. 

O aspecto musical foi um elemento importantíssimo na difusão do culto. O principal dogma da religião apregoava a verdade de que Beatles cantavam e tocavam seus respectivos instrumentos divinamente, como ninguém antes ou depois deles, com arte tão grandiosa que eram capazes de criar vida. 

Apesar de todas as vicissitudes, o gosto pela música nunca se perdeu em nossa ilha. Aconteça o que acontecer o espírito humano sempre foi e sempre será musical. Nada mais justo que acreditarem que o mundo foi criado através da música. Criado pelo supremo mistério da música dos Beatles, em sete acordes, tão longos e poderosos que duraram cada um sete dias e sete noites. Antes só existia o silêncio. Trata-se sem dúvida de uma bela metáfora, talhada para o sucesso. Como de fato o foi. E o foi principalmente porque, tantos séculos depois de suas mortes, tivemos o privilégios de ouvi-los. 

Sabíamos que em um passado remoto existiam aos milhares registros sonoros de suas obras musicais. De modo miraculoso, máquinas reproduziam o som de seus instrumentos, sem que eles necessariamente estivessem presentes. 

Relíquia sacra
Lamentavelmente, só restavam em toda ilha três cópias conhecidas dos discos plásticos que guardavam estes sons. Foram devidamente confiscados e tornaram-se propriedade pública. Não conseguimos, ainda, reproduzir os objetos como se fazia há tempos. Com esforço, fomos capazes do prodígio técnico de fazê-los tocar. De forma precária, é verdade. Por isto mesmo, fomos obrigados a permitir a execução pública das músicas dos Beatles somente em datas religiosas especiais. Ao todo, cinco vezes por ano: nas datas de nascimento de cada integrante do grupo e no aniversário do martírio de um deles. 

As audições públicas somente se dão, por motivos logísticos e de segurança, em nossa capital política e religiosa de Liverpool. O que por um lado é positivo, pois a raridade aumentava o valor e o peso sacro do evento. Prova disto são os inumeráveis crentes que desmaiam emocionados ao ouvir, pela primeira e, muitas vezes, última vez na vida, depois de viagens extenuantes, os acordes arranhados dos sagrados instrumentos, seguidos de alegres gritos juvenis proferidos pelas sagradas gargantas dos Beatles. Se as vozes originais raramente podem ser ouvidas, em compensação em cada templo existente no interior da ilha abundam cópias das partituras das sacras canções, mantendo-as sempre pulsantes, frescas na memória do populacho. 

Nossos sacerdotes, que chamamos de maestros, aprendem, antes de mais nada, como base de suas formações religiosas, ler e conduzir música. Ciência que, felizmente, ao contrário de muitas outras, não se perdeu e são bastante úteis na direção dos cultos públicos ao quarteto, feitos basicamente de cânticos à capela e recitações poéticas. As técnicas e os instrumentos disponíveis atualmente, é claro, não são os mesmos dos tempos de ouro dos Beatles. Época em que homens viviam na inocência do paraíso terreal, em fartura, bonança e contentamento. Todavia, mesmo imperfeitos, procuram se aproximar o máximo possível do que acreditamos ser seus ensinamentos fundamentais, seus tons. 

Mas, enfim, as verdades teológicas são sempre assuntos amplos demais para se esgotarem em poucas páginas, e as minhas acabam. Sobretudo, quando o destino da religião focada tende a expansão. Pois, se a velha Inglaterra viveu tempos de paz e progresso sobre a proteção dos Beatles, seus filhos, não demorou a que outras nações europeias que se reerguiam, e com as quais recomeçávamos a praticar comércio, adotassem o culto. Não há nada que faça-nos duvidar de que a difusão da religião será surpreendentemente rápida. Chegará a todo o mundo, quando voltarmos a ter possibilidade de comunicação com as paragens mais distantes. Não restam dúvidas disto. Certamente não vou viver para testemunhar sua extensão máxima. Mas, aí de mim, já vivi o suficiente para ver agir a maldade humana nas coisas sagradas. 

Foi no País de Gales onde se urdiu a mais deplorável das inevitáveis heresias que surgem das erradas interpretações das santas verdades da fé. Um sujo eremita galês, vestido em trapos, ganhou fama pregando ao populacho sobre a gloriosa volta eminente de um impossível beatle palestino. O fanático garante haver encontrado, nas ruínas do que dizem ter sido uma igreja anglicana (um velho culto pagão), manuscritos antigos que afirmam que os Beatles não eram quatro, mas, sim, cinco deuses. 

Stu, ou Jesu
Esta Quinta pessoa do Eterno teria o nome de Stu, ou Jesu, ou ambos, não estou certo, e representaria a emanação do dor. Não toca nenhum instrumento e não canta, não possui tanto talento quanto seus irmãos, apenas conta histórias sobre pescadores e agricultores. Não é originário de Liverpool, mas de uma região muito distante, que, para nós, homens letrados, é meramente lendária, conhecida como Palestina; terra muito rica e fértil, onde emanam leite e mel das plantas e os tijolos são feitos de ouro. 

Segundo o heresiarca de Gales, o beatle palestino sacrificou-se aos rigores dos sons para salvar nossas almas do pecado. Teve sua cabeça explodida pelo barulho ensurdecedor da poderosa música de seus irmãos. Seu holocausto deixou marcas. O beatle palestino, além dos cabelos, também usava barbas longas, tão longas que chegavam a seus pés. 

Depois de sua morte, seus quatro irmãos sobreviventes dividiram sua barba entre si, para que nunca o esquecessem e para que houvesse fartura na Inglaterra. Stu, Jesu, voltaria para recuperar sua barba no fim do mundo, que, segundo o louco, estava próximo. 

St. John Lennon
Ano passado o eremita galês foi apedrejado por uma multidão inconformada com suas blasfêmias. Morreu, cuspindo sangue aos jatos, jurando em brados ameaçadores que falava a verdade e que todos nós iríamos nos arrepender amargamente, que iria haver fome, choro e ranger de dentes, em vingança divina por sua morte. Ninguém lhe deu atenção. Todos sabiam que dentre os santos Beatles apenas um deu a vida para nos salvar: John. 

Aconteceu em dezembro, dia 08 de dezembro; e por isto neste mês se comemora a festa do natal, ouvindo a sua voz em Liverpool.



*Ademir Luiz é doutor em História Medieval, especialista no mito do Rei Artur e na Ordem dos Templários. Publicou diversos textos na internet, incluindo o polêmico “Pecados, demônios e tentações em Chaves” (Revista Bula). Escreveu alguns contos, como “O Beatle palestino”, e os romances Hirudo Medicinallis – ou carta aberta de um vampiro de brinquedo ao espectro de Orson Welles (Prêmio Cora Coralina, 2002) e Fogo de junho (Prêmio Hugo de Carvalho Ramos, 2014) Mora em Goiânia, Goiás.

11 de mar de 2015

COM UMA AJUDA DE PAUL E GEORGE

De acordo com John Winn em seu livro Way Beyond Compare a sessão de 11 de março de 1969 na Apple Studios produziu dois lados-B do cantor e compositor contratado da Apple, Jackie Lomax: Thumbin 'A Ride e Going Back To Liverpool. 

Ambas as músicas foram produzidas por Paul McCartney. George Harrison também tocou guitarra nas duas músicas e fez backing vocal em Going Back To Liverpool, que ele também é creditado como co-produtor, juntamente com Paul. 

Ambas as canções podem ser encontradas no CD de Jackie Lomax Is This What You Want? Nota-se que as fotos são provavelmente durante o ensaio e não a gravação definitiva. A bateria não está plugada e não há fones de ouvido. De acordo com o fotógrafo, Tom Hanley, "Esta fotografia foi tirada na noite anterior do casamento de Paul com Linda. A única razão que eu posso ter certeza da data é porque logo depois de terminar esta pequena sessão de improviso com outros músicos no estúdio do porão da Apple, Paul caminhou tranquilamente para fora do prédio, comprou um anel no caminho de casa e no dia seguinte se casou com Linda. Ele não disse nada a a ninguém e só soube quando lemos a notícia em edições do meio-dia do dia seguinte". 

Há afirmações de que Klaus Voorman (amigo antigo dos Beatles da época de Hamburgo e autor de capas como as de Revolver e do Projeto Anthology), toca baixo nesta canção. Curta!



Paul na bateria

Paul e Jackie Lomax

Donovan Leitch parece estar tocando teclados


27 de fev de 2015

25 de fev de 2015

VIVA GEORGE HARRISON! 72!

O Beatlebox traz hoje, dentro das comemorações do 72º aniversário de George, ele cantando Congratulations

Este clipe foi gravado durante as filmagens para o 30º aniversário do álbum All Things Must Pass em 2000 na sua residência, em Friar Park

É uma música dos Traveling Wilburys, do qual George participou com Roy Orbison, Tom Petty, Jeff Lyne, Bob Dylan, Dhani Harrison, Del Shannon e Jim Keltner. 

No álbum, o primeiro da banda, o Traveling Wilburys Vol. 1, ela é cantada por Bob Dylan. 

Esperamos que você curta! Happy birthday, George! Yeah!

24 de fev de 2015

VIVA 24 e 25 DE FEVEREIRO!

Durante muito tempo, comemorava-se o aniversário de George Harrison no dia 25 de fevereiro. Porém, num belo dia, George teria revelado numa entrevista que nascera às 23:45hs do dia 24 de fevereiro. Ótimo! Temos dois dias para comemorar o dia do Quiet Beatle! Yeah! 


72 anos! God bless you, George! Onde quer que você esteja!

George e Big Charles, em 1961


2 de fev de 2015

O REVOLUCIONÁRIO HUMOR DE JOHN LENNON

Por Rafael Senra*

Rafael Senra  
Saiba mais sobre ele no link ao final do texto
Há uns anos atrás, a proliferação do ideário “politicamente correto” tirou o sono de muitos humoristas. Agora, em um mundo pós-Charlie Hebdo, uma questão fundamental retorna à pauta: quais seriam os limites do humor? Tudo isso inspirou o presente ensaio, em que tento abordar a vida e a carreira de John Lennon, figura que, apesar de não ser propriamente um humorista, tinha o escárnio e o riso como ingredientes frequentes em sua matéria prima artística. 

Entre os quatro Beatles, John sempre pareceu ser o mais hábil em destilar nas suas canções e performances amostras de um humor eficaz, ainda que muito ácido em diversos momentos. Paul McCartney sempre apresentou canções marcadas por uma leveza e um otimismo próprios, mas por mais brilhante compositor que fosse (e é), nunca teve o humor como elemento tão forte. George Harrison, por sua vez, compôs canções cujas letras revelaram grandes pérolas de sarcasmo e ironia, como Awaiting On You All, Sue Me Sue You Blues, Horse to the Water, etc. – mas todas essas só surgiriam anos depois do fim dos Beatles, em sua carreira solo. E Ringo era uma figura que tinha boas doses de humor em suas performances, ainda que de maneira involuntária. 

O alvo preferencial de Lennon era quase sempre ele próprio, projetado em várias letras que retratavam um eu-lírico nada heroico e muito menos idealizado. Quando decidia tirar sarro de mais alguém além de si, o beatle escolhia corajosamente os alvos das zombarias. Há ótimas canções fazendo troça de instituições políticas, militares, religiosas, da Rainha da Inglaterra, do presidente americano Richard Nixon, ou de célebres colegas músicos, como Bob Dylan e até mesmo o parceiro Paul McCartney. Por outro lado, ele poupava e até mesmo fazia uma inflamada defesa dos direitos das minorias representativas, como mulheres, negros, homossexuais, etc. 

Controvérsias 

Mas nem sempre foi assim. Na fase inicial dos Beatles, John não era tão politizado ou condescendente nas gracinhas. Em “Girl”, por exemplo, ele canta a letra principal, enquanto o coro das vozes de fundo cantarolam a palavra “tits” (seios) repetidas vezes. Uma sutileza, mas que carrega certa dose de machismo, e se soma a diversas histórias de bastidor que mostravam um jovem Lennon pouco atencioso com as necessidades das mulheres, tanto no aspecto pessoal (as mulheres com quem se relacionou, ou sua primeira esposa, Cynthia), quanto no coletivo (envolvendo direitos e demandas feministas). Ele só assumiria um posicionamento mais decididamente feminista depois de conhecer sua segunda esposa, Yoko Ono. 

E se isso parece ofensivo, é importante lembrar que John executou episódios de humor ainda mais constrangedores e tacanhos. Nos primeiros shows da banda, um de seus recursos de palco preferidos era imitar deficientes físicos e pessoas com problemas mentais. Como revelado pelos outros três Beatles e por imagens antigas no documentário Anthology, John se contorcia em alguns momentos mais animados dos shows, entortava sua boca, mãos e pernas, arrancando risos dos seus colegas de banda e de parte da plateia, sem se importar se seria ofensivo para qualquer um dos presentes. Gracinhas como essas podem ser tomadas como amostras de um humor ingênuo, o que, por outro lado, não as tornam inofensivas. 

Power and the People 

Apesar de alguns exemplos questionáveis, ao longo do tempo John sofisticaria seu estilo de humor, a começar por sua presença de palco. Em novembro de 1963, enquanto os Beatles tocavam em um show beneficente chamado Royal Variety Performance – cujos convidados de honra envolviam importantes figuras como a rainha Elizabeth I, a princesa, dentre outras celebridades –, Lennon diz para a plateia: “Para nosso último número, eu queria pedir a ajuda de vocês. As pessoas nos assentos baratos podem bater palmas. O resto de vocês pode sacudir as jóias”.

Fazer piadas de figuras e instituições ligadas a pessoas poderosas foi algo muito bem explorado por John em diversas ocasiões, como nas canções Cry Baby Cry (sobre a Rainha) ou em Sexy Sadie (sobre o líder religioso Maharishi Mahesh Yogi). E quando estoura a Guerra do Vietnã, John protagoniza outro bem-humorado episódio envolvendo a realeza. Em 1969, ele resolve devolver para a Rainha a MBE (medalha que o condecorava como Membro da Ordem do Império Britânico), e vai até o Palácio de Buckingham pessoalmente para fazê-lo, entregando também a seguinte carta: “Sua majestade, estou devolvendo minha MBE em protesto contra o envolvimento da Grã-Bretanha no lance Nigéria-Biafra, contra nosso apoio à guerra do Vietnã e contra a queda nas paradas de ‘Cold Turkey’. Com amor, John Lennon”. 

Ainda em 69, depois de ser proclamado personalidade do ano pela revista Rolling Stone, alguns críticos resolveram fazer uma pilhéria com a postura de Lennon e Yoko a favor da paz, elegendo-o como “palhaço do ano”. E eis que ele responde no ato: “Parte da minha política e da Yoko é não sermos levados à sério. Somos humoristas. Todas as pessoas sérias, como Kennedy, Luther King e Gandhi, foram assassinados. Queremos ser os palhaços do mundo. Fico orgulhoso em ser ‘O Palhaço do Ano’ num mundo em que gente séria está se matando e destruindo em guerras como a do Vietnã”.

John e Yoko numa entrevista em 1969

Trocadilhos 

Desde o início dos Beatles, um dos mais interessantes recursos de humor utilizados por Lennon foi o de fazer trocadilhos com palavras e expressões populares. Isso pode ser notado em diversas de suas músicas, sobretudo na fase mais criativa e psicodélica dos Beatles, como Being for the Benefit of Mr. Kite, I Am the Walrus, Glass Onion, etc. Uma das suas principais inspirações para tanto foi o escritor Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas e Alice no País dos Espelhos. Com Carroll, um hábil escritor na arte dos trocadilhos e jogos de palavras, John aprimorou sua veia lírica também nesta direção. Ao se aventurar na literatura em seus livros In His Own Write e A Spaniard in the Works, seus textos revelaram grande familiaridade em explorar as possibilidades sintáticas e semânticas das palavras (leia aqui um dos contos presentes no primeiro livro de John, traduzido para o português por Braulio Tavares). 

As habilidades “trocadilhescas” de Lennon podem ser detectadas já na grande ideia por trás do nome da banda – um trocadilho em que a palavra besouros (“beetles”) aparecia grafada com “a”, aludindo também à palavra “beat” (“ritmo”, ou dialogando também com o movimento beat, etc.). Apesar das referências do nome “Beatles” serem razoavelmente evidentes, as justificativas que John oferecia para criá-lo eram igualmente hilárias: em algumas entrevistas, ele teria dito que sonhou com um homem misterioso, carregando uma torta flamejante, e que lhe dizia em uma voz cavernosa “vocês serão ‘Beatles’ com ‘a’”. Até hoje, um mistério ronda esta versão. É possível ler a declaração da torta flamejante como uma zombaria do discurso messiânico familiar a tantos políticos ou religiosos. Contudo, muita gente, como Yoko Ono, defende que essa é a verdadeira história por trás do nome da banda. Seria um sonho místico e premonitório, ou foi o mundo que não entendeu a piada? 

Quando pensamos nas implicações éticas do humor, o trocadilho emerge como um recurso muito interessante. Diferente da visão de que o melhor humor sempre deve ser ofensivo, os trocadilhos não envolvem a depreciação de pessoa alguma. De fato, essa ideia de um humor ofensivo surge da noção de que o humor é definido essencialmente como sendo trágico, e que sua eficácia é proporcional ao nível de calamidade sofrido por alguém. Mas há uma outra definição, que toma o humor como sendo, basicamente, uma ligação inesperada entre fatos diferentes – tal qual um elemento surpresa que surge dos conteúdos e dos significados. Penso que os trocadilhos parecem demonstrar que, em se tratando de humor, o caráter inesperado parece prevalecer em relação ao trágico. 

The Niggers of the World

Sobre negros, mulheres e gays, que costumam ser alvos de humoristas apelativos e menos talentosos, Lennon até mesmo fez questão de interceder publicamente em relação a esses segmentos. Já no início dos Beatles, John defendeu o empresário da banda Brian Epstein, um homossexual atormentado que, a despeito de seu talento como administrador, acabaria morrendo por overdose de remédios para insônia. 

Logo depois da morte de Epstein, Lennon assume seu relacionamento com Yoko Ono, possivelmente a principal responsável por amplificar e contextualizar a visão humanística e pacifista que ele já possuía de forma latente e intuitiva. A postura politizada que o casal assume envolve também uma cumplicidade com demandas de setores menos privilegiados da sociedade. A partir daí, se intensificam as canções e declarações de John e Yoko defendendo os direitos das mulheres, negros, imigrantes, etc. Em seu controverso disco Some Time in New York City, de 1972, Lennon compõe músicas que são praticamente declarações suas a respeito de alguns desses temas, como Woman is the Nigger of the World – cujo título já, de cara, trata simultaneamente da questão das mulheres e dos negros. Duas pautas que surgem novamente em canções como “Angela”, sobre Angela Davis, uma militante comunista que fazia parte do partido dos Panteras Negras.

Lennon por Lennon 

Mas o alvo preferencial do humor “lennoniano” ao longo de toda sua carreira foi… ele mesmo. John soube, como ninguém, fazer chacota de si, e expor aspectos pouco glamorosos de sua própria personalidade. Em algumas canções, como Help ou Strawberry Fields Forever, sua abordagem intimista surgia mais tomada por angústia e nostalgia. Contudo, há diversas outras canções em que o beatle parecia rir de seus próprios podres, como sua constante preguiça (I’m Only Sleeping ou I’m so Tired), ou o fato de se sentir um perdedor (I’m a Loser), e até mesmo a perseguição pública que sofria por namorar uma estrangeira (The Ballad of John and Yoko, ou Everybody’s Got Something to Hide Except Me and My Monkey). 

Ao longo de sua vida e carreira, John Lennon sempre usou o humor para desmistificar quaisquer instituições e figuras cujo poder pudesse ser opressivo em alguma medida. E, com toda a parcimônia que pôde, utilizou essa desmistificação sobretudo em relação a si mesmo ou aos Beatles. Em boa parte das entrevistas que deu, ele tentou massacrar diversas tentativas de transformar-se em lenda. Jornalistas e fãs tentavam, a todo momento, tê-lo como um sujeito especial, quase que um totem, e ele viu no humor uma das maneiras pelas quais podia humanizar a si mesmo, destruindo o pedestal onde tantos insistiam em colocá-lo. Infelizmente, o brilhantismo da mensagem artística de John não chegou até um sujeito em especial, que, incapaz de compreender seu senso de humor, envolveu-se em uma sacralização fanática de Lennon, algo que custaria a vida do artista. Afinal, assim como existem no mundo os maus humoristas, também há os maus entendedores – mesmo quando se trata de algo tão direto e universal quanto as ideias que o ex-beatle cantou e praticou por toda a sua existência.


* http://rafaelsenra.com/

22 de jan de 2015

DEAR PRUDENCE

John Lennon escreveu esta música em Rishikesh, na Índia, durante a viagem que os Beatles fizeram para realizar um curso de meditação transcendental com o Maharishi Mahesh Yogi, de fevereiro a abril de 1968. 

Além deles, várias outras personalidades artísticas estavam presentes, como Mike Love dos Beach Boys e entre eles a atriz Mia Farrow, que levara a sua irmã Prudence Farrow junto. 

Prudence não participava das atividades com as outras pessoas do grupo; só queria ficar em sua cabana treinando meditação. Apesar das insistências, nada fazia com que ela saísse de seu enclausuramento. John, preocupado, tentou de qualquer maneira, alegrar Prudence cantando canções dos Beatles e fazendo suas palhaçadas. Resolveu então, fazer esta música para que ela abandonasse a sua solidão e viesse participar das outras atividades do campo ("to come out to play"). 

Um amigo de John e da banda, Donovan, ensinou a técnica do dedilhado no violão (que John usaria muitas vezes depois) e no final da mesma noite em que ele fez a letra, a base da melodia já estava pronta. 

Atualmente Prudence Farrow e seu marido, são professores e ambos continuam praticando avançadas técnicas de meditação transcendental. 

Leiam uma recente entrevista feita com ela: 

"Prudence, você é a “Dear Prudence”, da canção de John Lennon, lançada no White Album

Sim. Em 1968, eu fiz um curso de meditação de três meses na Índia com o Maharishi Yogi, na mesma turma em que estavam os Beatles. Minha irmã, Mia Farrow, que também fazia parte do grupo, veio ao meu quarto e no quarto ao lado estavam John Lennon e George Harrison, preocupados com a minha reclusão, pois eu quase não convivia com os demais. Quando eles foram embora do retiro, eles me disseram, "Nós escrevemos essa música para você", mas depois eu acabei me esquecendo dela. 

Quando você a ouviu, então? 

Minha mãe tocou para mim. É uma bela canção, mas havia muitos rumores sobre os motivos pelos quais John a escreveu, que eu era uma viciada em heroína, que tinha relações sexuais com ele... Não era nada disso, eu apenas estava direcionando todo o meu foco para a meditação. 

Deve ter sido difícil meditar com os Beatles ao lado. 

Sim, eles se mostraram como adoráveis desordeiros, mas achei-os divertidos."

Dear Prudence foi gravada no Trident Studios, em oito canais, nos dias 28 e 29 de agosto de 1968. Ela foi concluída no dia 13 de outubro, no Abbey Road Studios, com um remix para estéreo. Ringo Starr não participou da canção, pois ele havia se aborrecido com Paul e com o clima das sessões de gravação deste álbum, tendo, por alguns dias, abandonado o trabalho com os seus companheiros. 

Paul McCartney, assumiu as baquetas durante o período em que Ringo esteve ausente (além desta música, ele gravou também na bateria “Back in the U.S.S.R.”). 

Ringo retornou após um pedido de desculpas pela banda com flores espalhadas pela sua bateria, um presente especial de George Harrison.


5 de jan de 2015

LAGOS, NIGÉRIA... 1973

E Paul McCartney gravou o álbum Band On The Run em Lagos, na Nigéria. Um disco super bem feito e premiado posteriormente. Mas nem tudo foram flores na sua concepção. 

Quase que Paul veio gravá-lo na filial da EMI do Rio de Janeiro, mas parece-me que ela estava em reformas ou se mudando de local, não me lembro bem, e ele não veio. E para piorar o baterista Denny Seiwell e o guitarrista Henry McCullough resolveram abandonar o grupo às vésperas da viagem. 

E lá foram Paul, Denny Laine e Linda mais o engenheiro de som, Geoff Emerick. Paul e Denny gravaram guitarra, violão, piano, bateria e baixo. Linda ajudava na vocalização, letras e piano base. 

Ok. Daí um cantor nigeriano, muito influente por lá, acusou Paul de ter vindo roubar o 'seu som'. Depois de uma reunião com atmosfera pesada, Paul mostrou algumas canções e tudo ficou esclarecido. Depois Paul e Linda foram assaltados. Disseram a eles depois que se eles não fossem brancos provavelmente teriam sido mortos... E ainda por cima levaram as fitas de todo o material já gravado desde então. Paul teve que lembrar das canções e arranjos para continuar as gravações. 

Num outro dia Paul desmaiou por excesso de fumo, agravado pelo stress. Foi até o hospital, deu uma descansada rápida e logo voltou à ativa. 

A Adheli Tavares contou no blog The Beatles College que o “Band on the Run” foi lançado em dezembro de 1973, mas seu reconhecimento só veio em 1974. O Wings ganhou Grammy de “Melhor Performance Vocal de Pop” e disco de platina nos Estados Unidos, além do álbum ter sido o mais vendido de 1974. O álbum figura em importantes listas do mundo da música, como a lista de álbuns definitivos de rock da Rolling Stone e melhores álbuns britânicos da história, também da Rolling Stone. Paul lançou outra versão do disco, com “Helen Wheels” que havia sido lançada como single e entrou no disco lançado nos EUA, mesmo sem ser creditada, e “Country Dreamer”, que havia sido lançada numa versão do “Red Rose Speedway”, mas acabou entrando na versão 1993 do “Band on the Run”. Em 2010 foi lançada outra versão, para o projeto “Paul McCartney Archive Collection”. Desde seu lançamento, “Band on the Run” só recebeu críticas positivas. E finalmente Paul percebeu que não precisava de John Lennon para escrever sucessos. Não havia mais dúvidas de que Paul era capaz de ter sucesso sem os Beatles. Superação em todos os sentidos.

video