06/11/2009
PAUL AO VIVO EM NEW YORK
01/11/2009
NOVA TURNÊ (COMO SERIA BOM...)
31/10/2009
OS BEATLES EM ITABUNA!
30/10/2009
O NARIZ
Nenhum daqueles narizes cônicos o agradava. Praguejou alguma coisa sobre a moda atual e saiu da loja visivelmente chateado.Queria um nariz aquilino, de impacto imediato quando visto de perfil. Não, não estavam mais sendo fabricados, modelos ultrapassados. Entrou no carro sem prestar atenção num mendigo siliconizado que vomitava na calçada e empreendeu velocidade supersônica pela rodovia área iluminada.
O despertador arrancou-o da cama às sete horas ao som de um samba lacônico que lembrava a Nova-Iguaçu da sua juventude. Tentou precisar o ano desse antigo sucesso e surpreendeu-se com a própria idade. Nova-Iguaçu... Nem existia mais, porra! Jogou o travesseiro sonoro para o alto e descambou para o banheiro, sentindo que outra parte do seu nariz ficava nas cobertas elétricas e ainda mornas.
Tinha sido um golpe e tanto. Com vários anos de serviços prestados à corporação de policiais especiais, nunca havia sido vítima de ataques de adolescentes andróginos, que se intensificavam a cada dia. Era verdade que a probabilidade de tal risco aumentava consideravelmente e poderia se repetir, mas, ao invés de se preocupar com o fato, deu graças aos céus por estar ainda vivo.
Carregou a pistola no energético atômico enquanto se barbeava, tomando cuidado para não perder de vez o restante do nariz que pendia irremediavelmente. Preparou a máquina de textos e ditou uma carta de repúdio a essas companhias de cirurgias plásticas modernistas.
O chefe de seção o repreendeu por não estar usando um tapa-nariz e citou normas de elegância mínima entre os seus comandados sem, no entanto, deixar transparecer que estava satisfeito com o seu trabalho. Disfarçadamente foi-lhe passado o endereço de uma clínica afastada, clandestina, que revertia parte de seus escusos lucros para as festinhas dos generais aposentados e, como ainda estava cedo e a cidade iniciava o dia com menos assaltos e ataques terroristas diversos do que ontem, saiu a sua procura.
A sala era escura, apesar do dia causticante lá fora, e após apresentar sua insígnia especial em forma de cartão magnético indestrutível, ouviu uma voz metálica, típica de megafones utilizados em músicas rudimentares, convidar-lhe para sentar-se nas almofadas brancas de polipropileno mole. Foi oferecida, para sua escolha imediata, uma infindável seleção de imagens holográficas de narizes humanos: brancos, arredondados, achatados, amarelos, negros, alguns com verrugas na ponta (em liquidação), mas aquilinos, nenhum.
Desfez-se das cintas que o prendiam à almofada tecnomorfa, pois se escolhesse algum a operação seria imediata, e ao solicitar a abertura da porta do consultório deu de cara com o médico presidente da casa. Que nariz! Que perfil! Algo incontrolável apoderou-se dele, acostumado a agir intempestivamente em situações de extrema necessidade, e arrancou de uma vez com o seu estilete-laser o nariz que tanto procurava.
Não ficou muito preocupado ao ser condenado a quatro meses de prisão em Júpiter, com trabalhos forçados. Duro foi ter que viver o resto dos seus dias com um nariz idêntico ao de um tal Richard Starkey, inapelavelmente imposto pela Corte Marcial.
29/10/2009
25/10/2009
THE TRAGIC HISTORY OF ELEANOR RIGBY AND DR. ROBERT
Eight Days A Week a apaixonada Eleanor Rigby esperava o Dr. Robert na porta do seu consultório. Quando ele chegava, ela gentilmente lhe dizia I Want To Tell You um Good Morning, Good Morning.You Can’t Do That, balbuciava Eleanor Rigby em pedaços Here, There And Everywhere. Será ninguém diria She Loves You para o Dr. Robert e que She’s Living Home por causa dele, Any Time At All?
Já imaginaram o famoso Dr. Robert, Little Child, escrevendo cartas com as frases Oh! Darling!, Don’t Let Me Down, I Need You, I’m A Loser, I’m Down e lembrando que I’m Happy Just To Dance With You?
Puxa, ela nunca pensaria em Some Other Guy...Tell Me Why, Dr. Robert? Because eu pareço apenas uma Sweet Little Sixteen? Você nunca ouviu as pessoas dizendo She’s a Woman quando ando na rua?
No próximo Good Day Sunshine os corpos do Dr. Robert e de Michelle foram encontrados ao lado do de Eleanor Rigby. Três tiros e um bilhete:
22/10/2009
19/10/2009
A VERDADEIRA HISTÓRIA DE MARTHA
Eu já tinha acostumado com ela e até tinha dado-lhe um nome: Ivy. Lembro-me bem deste dia em 1970, quando Mr. Mal Evans bateu palmas à porta. Nossa campainha havia estragado devido a uma chuva insistente no dia anterior - havia tempos que não chovia tão ininterruptamente assim num verão londrino - e por isso Lena, a governanta brasileira, foi até o portão de madeira e o abriu. Eu estava no alpendre, entretido com o preenchimento de um álbum de figurinhas dos tri-campeões mundiais de futebol - a figurinha do Tostão era a mais engraçada -, e Ivy, minha cachorrinha, pulava nas minhas pernas e fazia com que os cromos repetidos se espalhassem pelas escadas, que davam para o jardim, num típico e alegre alvoroço de cachorrinho recém-nascido.De longe vi aquele homem gigante no portão, a cabeleira loura e uns óculos pretos muito gozados. Chamou-me também a atenção aquele paletó quadriculado e calças pretas um tanto quanto curtas, haja vista que suas meias apareciam quando ele nervosamente mexia nos bolsos enquanto falava.
"- Big Charles! Esse senhor quer falar com o seu pai! Vá chamá-lo! Ele está no escritório!" - Era sempre assim que Lena falava, apesar de papai ter lhe falado inúmeras vezes sobre a maneira britânica de atender pessoas, mas o seu jeitão carioca nunca mudava ou sumia e, invariavelmente, ela gritava mesmo e quando andava gingava sensualmente os seus quadris num passo de mulata corpulenta e bonita - para desespero dos meus pais e felicidade total de professores e colegas de papai, que vinham para conversar sobre trabalho ou estudos.
Olhei mais uma vez para o gigante, que esboçou um tchauzinho, e fui procurar papai.
Estávamos havia três anos em Londres; papai trabalhava com a bolsa de valores e concluía um estudo na cidade, juntamente com outros companheiros de várias cidades do Brasil e da Argentina.
Papai estava ouvindo o disco novo de George Harrison, 'All Things Must Pass', e cantarolava alegremente, enquanto mexia nos livros, a linda 'Beware Of Darkness'.
"-Pai!" - Gritei também.
"- Ôi, Big Charles! Depois eu quero que você ouça esse disco do George. Está fantástico! Putz-grila! Eu sempre soube que George era um gênio, mas nunca pensei que ele tivesse tantas músicas assim guardadas na manga! Só falta o Ringo lançar um disco de samba agora!".
"- Pai! Há um homem lá fora querendo falar com o senhor!".
Papai quase caiu de costas quando o homem se apresentou como Mal Evans, praticamente o escudeiro-mor dos Beatles. Mal Evans, o homem que resolvia inúmeros e variados pepinos em que os Beatles poderiam estar envolvidos. Inclusive - fiquei sabendo depois - figurava nos créditos do próprio 'All Things Must Pass' como o homem que servia o chá. Eu achava muito engraçado alguém se chamar 'Mal' e porque não 'Bem', afinal era tão óbvio que o 'Bem' era muito melhor!
Não gostei nada quando o papo ganhou ritmo e os olhos deles não saíam da minha cadela Ivy. Após alguns minutos, com muito jeito, meu pai veio me dizer que a Ivy era irmã da cadela de Paul McCartney, Martha, e que Martha havia morrido misteriosamente no dia anterior. Paul e Linda estavam chegando de viagem hoje e Mal não queria entristecê-los com uma notícia ruim. Mr. Evans havia procurado a fazenda onde ele comprou Martha, mas já não havia mais nenhum filhote. Então deram a ele o endereço de quem havia comprado a última cadelinha... Entendi tudo e, apesar de ter chorado um pouco, deixei que Ivy partisse e se transformasse em Martha. Quando meu pai tentava me convencer ele fixava bem nos meus olhos e dizia quase implorando: "- É para o Paul, Big Charles! É para o Paul!".
Não sei até hoje se algum dia o Paul notou que a sua Martha, daquela época, era na verdade a minha Ivy. Provavelmente não, pois elas eram muito pequenas e talvez ainda não tivessem desenvolvido alguma personalidade canina peculiar. Vai saber...
Hoje quando ouço 'Martha My Dear' do 'White Album' eu canto Ivy My Dear (apesar de 'Martha My Dear' ter sido composta para uma Martha anterior), porém aquela cadela que sempre aparece em fotos com Paul será uma e única: Martha para todos, Ivy para mim.
10/10/2009
HOW THE BEATLES ROCKED THE KREMLIN
USSR propaganda against the Beatles from With Lasers on Vimeo.
08/10/2009
MICHELLE
Michelle Wickings, filha mais velha de Gerry Wickings e Leonor Spencer Wickings, nasceu em 18 de junho de 1.942, mesmo dia do nascimento de Paul McCartney. Os dois eram vizinhos na Forthlin Road e, após descobrirem a coincidência das datas em meio a muitas risadinhas, passaram a dizer-se irmãos gêmeos.
Mais tarde John Lennon admitiu ter gostado tanto daquilo que chamava de gêmeo o seu filho Sean, por terem nascido no mesmo dia, 9 de outubro.
Michelle, quando completou 16 anos, foi mandada para morar com a tia Brigitte Spencer Page em Paris, pois a mãe morrera subitamente e o velho Gerry estava com dificuldades de arranjar emprego para sustentar os outros quatro filhos: Jude, Vera, Chuck e Dave.
Paul, que até hoje tenta esconder a sete chaves esse namorico da sua pré-adolescência, acabou por compor para Michelle a sua primeira canção: I Lost My Little Girl. Talvez seja desnecessário dizer que a música Michelle, escrita por ele há aproximadamente dez anos depois, e recheada de frases em francês, foi feita para ela, um puríssimo amor platônico e com quem ele jamais se encontrou novamente.
Dizem que é possível vislumbrar a silhueta da garota ao fundo da foto de Paul com o violão no quintal da Forthlin Road 20, clicada pelo seu irmão Michael, e que estampa a capa do CD Chaos And Creation. Eu já notei.
06/10/2009
A CONSTRUÇÃO DE UMA MARCA ETERNA
Os Beatles, a mãe de todas as bandas, acabaram há 40 anos. Mas sua marca continua sendo uma das mais poderosas do mundo29/09/2009
UMA MAÇÃ É UMA MAÇÃ
Para gnomos teria que ser uma ervilha, mas para nós, beatlemaníacos, tinha que ser uma maçã. Verde. Vermelha. Amarela. Um farol, um sinaleiro, um semáforo controlando o trânsito das nossas percepções sobre frutas, músicas e besouros.Uma maçã é uma maçã, é uma maçã. E ela começou tudo. No paraíso fez de Adão o primeiro palhaço terreno. Na exposição de Yoko fez John levar uma bronca ao abocanhá-la. Na cabeça de garotos fez a fama de Guilherme Tell. No quadro comprado por Paul ela o encantou.
Uma maçã é uma maçã, é uma maçã. E ela tem o 'eme' de Magritte e também o de Matisse, além do 'eme' de morte, que pensa que já levou John e George...
Delícia olharmos para nossos elepês tão conservados, onde a maçã representa dias maravilhosos. É ainda mágico vê-la girar nas nossas eletrolas dos anos sessenta, setenta e oitenta, recendendo o seu aroma único e inimitável de Beatles. Felizes os que colocaram uma maçã no prato do toca-discos e mataram a sua fome de música.
Felizes os que foram convidados para o banquete da Beatlemania, no qual a maçã jamais apodreceu e gerou, incansável, frutos maravilhosos na vozes de John, Paul, George e Ringo. E a maçã nos alimenta até hoje. Continua a pulsar sua seiva incrível a contagiar novos corações.
Uma maçã é uma maçã. Quem, além de beatlemaníacos, sabe tanto sobre ela?
26/09/2009
25/09/2009
HAPPY YESTERDAY
Quando subi no palco quase saí correndo pelo outro lado ao notar que o meu parceiro não estava lá. Medrara, o patife? "Correu de medo, borrou no dedo, pediu um paninho para limpar o dedo?". Sei lá. Só sabia que EU estava ali. Sozinho e com cara de imbecil! Como cantar 'Yesterday' sem o violão para me acompanhar na frente de todo mundo?Finalzinho dos anos 60. Em todos esses anos o colégio preparava essas provas duríssimas para a turma de Canto, disciplina opcional que eu resolvera cursar só para me tornar um beatle. A maioria dos alunos era de meninas, e todas elas tinham o cabelinho a la Rosemary e Lilían. Apenas a Alba Valéria fazia um corte curto e dizia ser a Rita Pavone. Tive de ser muito macho e agüentar a pressão dos meus colegas de sala, cochichando pelos cantos que eu estava virando bicha. Saco! Era tudo por causa dos Beatles, pô.
Agora, ali plantado naquele palco, várias outras crianças já haviam se apresentado e se sentavam para assistir à próxima atração: eu e o tratante do Bruno, os últimos. E ele não viera! Putz-grila! Olhei para a platéia cheia de pais, e de outros parentes menos cotados, e procurei os meus. Cacete! Lá estavam eles: meu pai (não sei como é que ele foi, pois quando havia festas ou outras comemorações na escola a empresa dele não 'deixava'), minha mãe (que me achava muito mais a cara do Ronnie Von - que eu odiava - do que a do Paul McCartney - que eu procurava imitar no jeito dos cabelos, no olhar e tudo mais, sem muito sucesso, diga-se de passagem), minha irmã (fã do Wanderley Cardoso e apaixonada no George Harrison) e meu irmãozinho, que não gostava de nada que ele não pudesse quebrar ou lambrecar de melecas sortidas. Várias vezes, na casa de primos, eu dava os discos dos Rolling Stones e de outros 'adversários' para ele detonar e ficava escondido, curtindo a sacanagem. Pena que naquela época ainda não existiam esses discos corno-sertanejos...
E o Bruno? Saco! Por onde será que andava aquele alemão batata? Pôxa! Ele me garantira que não faltaria! No dia anterior à apresentação havíamos ensaiado mais uma vez na garagem lá de casa e tudo tinha corrido bem! Vi que ele não ia dar as caras mesmo e pensei em desistir. Nesse momento, sobe no palco o Júlio, amigo nosso, mas muito mais velho, que me fez um sinal para esperar e caminhou na direção do órgão. O Júlio tocava piano na orquestra da cidade e quase nunca nos víamos, a não ser quando ele aparecia lá em casa pedindo para eu lavar a Vespa dele em troca de cinco caixinhas de joinha, vinte pacotinhos de figurinhas do Perdidos no Espaço e duas garrafinhas de Crush. Não necessariamente nessas quantidades ou ordem.
Após abrir a tampa do instrumento e tocar algumas notas, ele se levantou, chegou perto de mim e cochichou no meu ouvido que o Bruno não viria porque a mãe dele havia caído e quebrado a bacia (só depois de uns 2 anos foi que eu entendi que não era bacia de lavar roupa e que o Júlio era namorado da irmã do Bruno) e que eu cantasse como tinha ensaiado, ele faria o resto. Nessa hora fui eu quem quase se borrou todo. Órgão? Minha mamãezinha...
Olhei mais uma vez para o meu pai, que estava novamente olhando o relógio, fechei os olhos e - dane-se! - mandei:
-"Yesterday...".
Antes de pronunciar a próxima palavra, ouvi aquele som maravilhoso e característico de um órgão bem tocado invadir os meus ouvidos. Confiança! Até ao final da música uma grande calma e segurança conduziram-me como mãos de fada por toda a canção. Quando terminei, depois dos característicos e ternos hum humm hum hum hum hum hummmm, todos já aplaudiam. E de pé! Putz!
Olhei para o Júlio e ele estava sorrindo e balançando a cabeça em aprovação. Lá na audiência minha mãe me acenava entre palmas e gritos, minha irmã olhava para uma amiga e apontava para mim e o meu irmãozinho devia estar perdido nalgum lugar do salão.
Naquele ano, no Natal, pedi os Lp's Rubber Soul, o Sgt. Peppers e o Let It Be, que nunca cansei de ouvir. Hoje, transformados em CD's, eles fazem parte do acervo jovem e antenado dos meus filhos.
15/09/2009
DÊEM UM VIOLÃO PARA O GEORGE!
Quando Paul disse que era um menino de apenas catorze anos, John deu um de seus característicos muxoxos: "- Bah! Bah! Vê se cresce, Paul!". "- Mas John... pelo menos ouve o cara!". "- Tá bom. Onde ele está?".George surgiu timidamente vindo da traseira do ônibus e, nervosamente, tropeçou num pedaço solto do chão de ferro do piso superior, onde estavam sentados Paul e John. O seu violão de apenas 3 libras chocou-se contra as costas de um dos bancos velhos e arrebentou duas cordas. “Merda!”, pensou.
Paul ajudou-o a se recompor e percebeu as cordas inutilizadas. Correu até o banco onde deixara suas coisas e pegou o seu próprio violão, dando-o em seguida a George. Este começou a dedilhá-lo, quis falar algo, mas logo foi interrompido por John, que gritou sem olhar para os dois: "- Paul, você não disse que ele é melhor que o Eric? E então? Sai som aí ou não?".
George fez um rápido sim com a cabeça e começou a tocar uma música que gostava muito, chamada Raunchy. Após um começo nervoso, e mesmo com o sacolejo do ônibus, ele dominou o instrumento e repetiu a canção, agora sem uma hesitação sequer. John fez um sinal para Paul segui-lo até quase os degraus que desciam para o piso de baixo do ônibus e cochichou algo no seu ouvido. Paul voltou-se, enquanto John se preparava para descer no próximo ponto, e disse para George: "- Ele aprovou! Você já é um Quarrymen! Mas, George... Você tocava Raunchy muito melhor do que tocou hoje...". George encarou Paul num misto de meiguice e leve raiva no olhar e finalizou: "- E toco! Mas esse seu violão de cordas trocadas para canhotos é um saco!".
12/09/2009
OS MIXES DE 1987 e os REMASTERS 2009
Texto de Roger Stormo
07/09/2009
FROM JAPAN
Aqui correspondente Nippon, né? Em nome vários fãs Yoko, venho Ocidente protestar fim carreira artística artista Yoko Ono motivo envolvimento Yoko com John Lennon década de sessenta, né?-----------------------------------------------------
Nota do Big Charles: aqui o correspondente se recusa a reconhecer Yoko como Sra. (Lennon).
** Eu me senti muito triste nessa ocasião!
*** Já disse tudo o que queria dizer.
04/09/2009
12/08/2009
PORQUE EU AMO OS BEATLES
A primeira música que cantei "ao vivo" foi 'Yesterday'. O primeiro beijo que dei foi ao som de 'Let Me Roll It'. Meus filhos nasceram ouvindo 'Imagine' e 'My Brave Face'. John, Paul, George e Ringo nunca passaram na minha porta, ou sequer souberam ou sabem quem é este cara aqui, mas estiveram e estão presentes na minha vida na mesma intensidade das pessoas que convivo e que amo muito. Enquanto eu viver.É só a discussão entrar num patamar onde não se diferenciam mais as vozes para Ringo cutucar George e chamá-lo com uma piscadela para cantarem 'Photograph'. Então paramos e ficamos a ouví-los. Logo depois John se junta a Paul e os dois dão vida a 'I've Got a Feeling' e 'Another Day' (John fica fazendo careta enquanto assovia o acompanhamento. Paul ri tanto que quase não consegue cantar...). Ringo não gosta de se arriscar, nem de brincadeirinha, e nos dá uma correta 'With a Little Help From My Friends'. George acompanha tudo com o seu sorriso sereno e aguarda pacientemente para nos brindar com 'Someplace Else' e 'Beware of Darkness'.
E assim vamos, até o sol, king, fazer nascer num novo amanhã. Para todos.
11/08/2009
13/07/2009
I CAN'T HIDE
Teresa Victoria Carpio, mais comumente conhecida como T. V. Carpio, é uma cantora, compositora e atriz chinesa / filipina-americana.I Want to Hold Your Hand (movie)
07/07/2009
21/04/2009
LET IT BOI
Eu fiquei assim desde a minha saída dos Beatles. De nada adiantou pagar cervejas para o Caetano durante o verão de 69 em Londres. As letras que eu dei para ele, ele não soube pôr no papel e entregou para o Roberto Carlos gravar. Ainda bem que eu não disse o meu nome verdadeiro.Bom, depois de uma série de desencontros vim procurar mar em Goiânia. Não achei, mas fiquei encantado com as fotos do Araguaia e com as cocotinhas do edíficio Acaiaca. Tomei vários ônibus suburbanos e me apaixonei pela avenida Tocantins.
Nessa época poucos entendiam as fotos do meu passado e fui ficando numa afirmar que eu era aquele cara mesmo, apesar de já estar duvidando. Também essa coisa de pequi e peixe-na-telha já estavam no meu sangue.
Contei várias vezes para o pessoal a história do homem-walrus, mas ninguém entendeu. Claro, o negócio aqui sempre foi boi e carro zero. Eles não tinham cabeça para entender 'Tomorrow Never Knows', sabem?, experimentalismos!, e quando conseguiam achar a própria orelha enfiavam um cd de música breganeja dentro dela.
O tempo foi passando e me perguntavam por que que eu nunca envelhecia e eu dizia que era porque eu já estava velho o bastante e eles riam e me convidavam para mais um churrasco de apartamento. Trem bão, sô!
E foi numa noite de outubro, quase achando que deveria voltar a compor, que eu resolvi me casar. Afinal, com essas músicas que estão fazendo sucesso no Brasil, quem iria dar bola para mim?
26/03/2009
PROJETO BUSCAS
Antes dos tiros dilacerarem o seu peito, John Lennon teve o corpo substituído pelo o de Doug Orquidário, numa inimaginável fração de nanossegundo, na porta do Edifício Dakota.Mais do que outros agentes de resgate do Projeto Buscas, Orquidário tinha uma constituição corpórea adequada para refazer-se das cinzas.
Os tiros? Ora, para ele esse tipo de causa mortis era de fácil absorção, assimilação e refazimento, diferentemente dos materiais químicos, pois em 1977 quase comprometera o cronotransporte de Elvis Presley porque, ao assumir o lugar do corpo do Rei do Rock antes do batimento cardíaco final, as reações químicas dos remédios ingeridos, que levariam Elvis à morte, por pouco não puseram fim na sua iniciante e promissora carreira.
Ainda é um enigma de como que os exames bio-psicoseculuns de Orquidário não acusaram tamanha e seriíssima incompatibilidade. Por uma incrível sorte do mundo da música futura, e perfeita intervenção dos operadores do Projeto Buscas (além do alívio do próprio Orquidário, é claro), o cronotransportador Olmer Doski conseguira resgatar Orquidário, já em estado de cronoambiconvulsão e voltar a tempo levando Kilton Miltro, que não tinha problemas com compostos químicos, até um Elvis ainda vivo para completar a operação.
Até hoje quando se abraçam, indo ou vindo de outra magnífica missão, Miltro grita para Orquidário: “ -It’s Now Or Never!”, e batem os punhos em saudação.
Miltro e Doski também trouxeram George Harrison (Orquidário certamente teria problemas com a quantidade de medicamentos que George estivera tomando) e se emocionaram muito, ao verem a alegria quase infantil de John ao lado de um George quase recuperado (George estava saindo do Stage One, receptáculo inicial de recuperação, após duas semanas da sua chegada) e contava novamente com os cabelos negros.
Ali, na sala de pós-recuperação, John e George se abraçaram e ficaram em silêncio por alguns minutos. John podia sentir no ar a confusão de George ao fitá-lo assim tão de perto. Apenas disse-lhe naquela voz nasalada, cujo timbre tão querido trouxe a George uma torrente de imagens e emoções de um tempo maravilhoso: “- Calma, amigo. Está tudo bem. Vá descansar mais um pouco. Depois falaremos e sei que terei muitas respostas para as suas perguntas”.
Antes de sair George viu, através de uma gigantesca tela dividida ao meio, os passos de Paul e Ringo no ano 2002 e apenas apontou para eles balbuciando para John: “ -Mas...”. E John batendo-lhe de leve nos ombro respondeu: “- Sim... Sim... Eles estão bem. Vá descansar”. E piscou quase imperceptivelmente para os Enfermeiros Intensos, que gentilmente conduziram George até o quarto número dois da Irradiação Cristal-Nine onde ele ficaria por mais uma semana.
John, tendo lágrimas teimosas a embaçarem os seus óculos redondos, fez com os dedos um sinal de ‘Ok’ rumo a um espelho imenso na parede posterior. Do outro lado, onde George não poderia ver, estavam Doski, Elvis Presley, Miltro e Orquidário, que se abraçavam num calmo choro de contentamento, ao mesmo tempo em que se ouvia, saída de algum lugar, a maravilhosa e eterna 'Something' inundar de paz o claríssimo ambiente.
25/02/2009
VIVA 25 DE FEVEREIRO!

George e Big Charles, em 1961
06/02/2009
30/01/2009
27/01/2009
30 DE JANEIRO
No ano de 1.969 eu estava com 26 anos e já pertencia ao destacamento da polícia de Londres. Havia apenas uma semana que eu atuava nas ruas, depois de um ano no escritório. Para mim, que sempre gostei de ação, os serviços burocráticos desempenhados durante aquele infindável ano foram um verdadeiro suplício.As noites de Londres eram relativamente tranquilas (para mim, que acompanhava todo aquele rebuliço cultural dos anos 60) e a maioria dos chamados era para resolução de assuntos corriqueiros, como bebedeiras indesejáveis ou pequenos conflitos domésticos. Houvera algumas ocorrências de tentativas de assaltos a bancos no final de 1.968, mas eu não estivera nessas diligências.
Naquele 30 de janeiro recebemos um telefonema dizendo que um conjunto musical resolvera tocar, em plena luz do dia, no telhado de um edifício. Eu estava na patrulha que saiu às ruas e no trajeto fui solicitando aos meus superiores mais informações, porém sem sucesso. Diziam apenas que uns cabeludos se achavam donos do mundo e pensavam que podiam se comportar da maneira que quisessem. Pensei em primeiro lugar que deveria ser o conjunto Pink Floyd, que fazia performances inusitadas em locais não tão próprios assim, como aquele em março de 1.966 no clube Marquee, num evento de contracultura chamado Spontaneous Combustion. Fora incrível! Havia também a possibilidade de ser mais um encontro entre Roger Waters, David Gilmour e Syd Barrett, que estavam produzindo o disco novo de Barrett, The Madcap Laughs, já que Barret havia praticamente sido expulso do Pink Floyd. Isso tudo me veio à cabeça naquele dia enquanto ganhávamos as ruas frias de Londres.
Ao descer do camburão a multidão já estava formada. Era o prédio da Apple na Savile Row! Quando os acordes maravilhosos de 'Don't Let Me Down' chegaram aos meus ouvidos eu não sabia se continuava com os meus procedimentos ou se procurava um lugar melhor para apreciar uma apresentação ao vivo dos Beatles! Puxa, desde 1.966 aqueles caras não tocavam em público! Porém o férreo regulamento policial britânico fez-me perfilar e acompanhar o comandande Nowmat, que já apertava a campanhia da Apple. Alguém abriu a porta e pude ver que Mr. Mal Evans já nos esperava. Ele nos cumprimentou gentilmente, como se estivesse esperando convidados para uma festa, e ouviu do comandante uma avalanche de perguntas sobre o que significava aquilo, se eles não sabiam que aquilo era proibido, se eles não se importavam com os vizinhos, se... se... Mr. Evans, imperturbável, disse que se tratava de uma filmagem e o comandante então pediu o documento que liberava o evento. Claro, não havia documento algum.
Mr. Evans fez um sinal para que o acompanhássemos e nessa altura mais quatro policiais se juntavam a nós. Subimos até o telhado. O vento não estava calmo e pude perceber nos rostos de Paul e John uma certa dificuldade em enquadrar o microfone enquanto cantavam 'Get Back'. Porém estavam com semblantes radiantes, como se estivessem fazendo uma grande travessura. E estavam! O comandante Nowmat e Mr. Evans travaram um conversa totalmente inaudível, que eu não me esforcei nem por um segundo em entender, embriagado com aquela visão e sons fantásticos.
Essa lembrança desenrola-se até hoje na minha mente com a nitidez de um Blu-Ray, com o perfume gelado de um dos mais maravilhosos dias londrinos, com o som mais inebriante e puro que um fã já ouviu. Sinto-me um privilegiado.
Nem sei como se desenrolaram os entendimentos de Nowmat e Evans, porém, após mais algumas músicas e John dizer jocosamente "espero que tenhamos conseguido passar no teste", o equipamento foi desligado e as pessoas nos prédios ao lado e nas ruas foram calmamente se dispersando (será que elas tinham a idéia do que presenciaram?).
Fiquei praticamente por último, e, ao descer as escadas, senti um puxão na minha manga. Olhei para trás e era o Ringo que me dizia:
" -Pô, cara! Achei que você fosse chegar lá e me arrancar da bateria na porrada! Pô, achei que você fosse me dar uma "gravata" e me jogar no chão! Que decepção, cara, que decepção!".
" -Obrigado, cara, obrigado!".
14/01/2009
beAtLes
02/01/2009
SUN
Tranquei a porta da entrada do estúdio da Abbey Road e me preparei para a ronda noturna.Passando por umas das salas senti o cheiro de cigarro e abri a porta. George ainda estava ali. Ele devia ter ido ao banheiro ou algo assim, pois não o tinha visto ao chegar no meu turno de trabalho.
Pensei em perguntar se ele queria alguma coisa, mas lembrei-me de quando John estava compondo uma parte de 'Yer Blues', também sozinho, e ao ouvir a mesma pergunta levantou os olhos da guitarra por alguns segundos e me fitando disse: "- Quero sim, Big Charles: cale a boquinha, ok?" -, colocando em seguida a língua para fora, numa careta engraçada. Eu percebi a mancada, porém não levei a bronca muito a sério, pois John era um grande sujeito e eu nunca o tinha visto humilhar alguém, pelo menos quando estava sóbrio... Ali, acredito, foi o jeito bacana dele de pedir privacidade e ao mesmo tempo zoar com as pessoas.
Agora George batia meio que nervosamente o cigarro na borda alta de um cinzeiro antigo e, percebendo a minha presença, chamou-me balançando os dedos que seguravam o cigarro. Aproximei-me e ele perguntou:
"- Qual é a primeira coisa que você pensa quando acorda, Big Charles?".
"- Bom, George... Gosto muito de acordar, abrir a minha janela e ver se o dia será ensolarado. Isso me dá ânimo para pular da cama.".
"- Hum... Certo. Ok, Big Charles!". E, ainda pensativo, voltou-se para sua guitarra. Claro que ele estava no processo de criação de uma nova canção.
Bom, ali na mesa, enquanto preenchia alguns formulários sobre a segurança do local, lembrei-me também das noites em que Paul chegava por volta das onze, dava três pancadinhas na porta, esperava uns segundos e depois dava mais duas (era a nossa senha) e me esperava abrir a porta. Entrava trazendo um café bem forte para mim; nada dizia além de esboçar um sorriso amigável ao mesmo tempo em que dava um tapinha nos meus ombros, e ia para o estúdio mais ao fundo do prédio. Ele estava compondo 'Oh! Darling!' e lá trancado eu podia ouvir seus berros forçando a voz para que ela parecesse cansada quando fosse gravar a música. " -Tenho que parecer fudido, Big Charles! Preciso colocar essa sensação na música!" - ele me disse certa vez.
Paul praticando
Depois de umas duas horas George apontou no corredor deslizando em passos de dança. Concluí que ele havia conseguido o que tanto procurava. Deu-me um abraço rápido com aquele seu casaco peludo e falou:
"- Consegui, Big Charles! Consegui!".
No dia seguinte, ao chegar para o trabalho, aqueles quatro caras fantásticos estavam dando o acabamento final em 'Here Comes The Sun'.
29/12/2008
INDIA
THE FIRST LIVE AID
Aquele show em 1985 por pouco não sai. Como eu estava com a agenda muito cheia na sexta que antecedia o concerto, minha entrevista com Bob Geldof foi antecipada. Bob precisava estar noutro compromisso no horário que estava marcado comigo e por isso, como Lennon ainda não havia chegado em Londres, fui até o hotel onde estava Mr. Geldof (se eu soubesse que essa mudança de planos teria me amputado o direito de estar na coletiva de Lennon eu certamente não teria ido), e comecei a entrevista como um bom correspondente. Afinal remarcada estava.Lembro-me de que Bob falou muito vagamente sobre o show, apesar de nos dias anteriores ele ter se mostrado tão ativo, e percebi que ele não estava tão bem assim. Só depois de meia garrafa de whisky foi que ele se soltou e me disse que não se sentia bem desde que fizera o papel de Pink no famoso filme de Alan Parker - The Wall. Dizia que o espectro de Pink não o deixava em paz e que o fantasma de Eric (o pai de Rogers Waters) sussurrava através de espelhos para que ele se alistasse num exército qualquer, pois a sua alma pedia uma granada. Eu, hem!
Bom, mas quando retirei meu gravador da bolsa, um dos seus empresários me pediu desculpas e literalmente arrastou Bob porta à fora. Em vários anos de entrevistas e tendo presenciado coisas de fazer uma crise do Jim Morrison parecer ensaio do Côro dos Meninos de Viena, achei aquilo muito estranho. Mesmo porque Bob tentou falar alguma coisa para mim através de grunhidos pastosos e gestos que eu não pude entender. Pareceu-me que a sua boca tentava articular as palavras beat for us ou mesmo Beatles, mas daí deduzir algo estava difícil...
Fiquei tão chateado com aquilo que me mandei dali e entrei no primeiro pub que vi - acho que o Stream Energy - e me afoguei naquela cerveja inglesa de quatro quilos o caneco. Não sei se a cerveja não bateu bem com o whisky que eu havia tomado com o Bob, ou se pelo choque de ter presenciado aquele descontrole gratuito dele, ou se pelas duas coisas juntas, que, às quatro da manhã, eu realizava o sonho de vomitar do alto da famosa ponte da capa do disco do Paul, o London Town.
Ali, imaginando-me sozinho e chamando o "hugo", passou um sujeito mais bêbado do que eu numa bicicleta gritando: "- Brazilian! U bastard!" e, desequilibrando-se, enfiou a roda dianteira do veículo numa fenda da ponte estatelando-se no chão e me apontando o dedo médio da mão esquerda em riste. Apesar de cair na risada, pensei em ir até lá e dar um belo pontapé no seu narigão vermelho, porém desisti, porque o vômito tinha sujado as lentes dos meus óculos. Sujeitinho sacripanta aquele irlandês! Quem ele pensava que era? Só porque trajava uma suéter imensa com a inscrição IRA tão grande que nem a sujeira dos meus óculos me impedia de ler? Ora! Já morei no Rio de Janeiro, rapá! Tenho medo de mais nada não, ora!
Deixei pra lá e fui pro hotel. No outro dia, dia do evento, abandonei o gravador junto das minhas credenciais e misturei-me com a galera para ver o show. Minha cabeça pesava mais do que o Big Ben e fazia os insuportáveis bléns-bléns de cinco em cinco minutos. Putz, que ressaca...
Acho que a beberagem acabou fundindo minha cuca naquele dia, pois só no finalzinho do show - já haviam se apresentado Led Zeppelin, Janis Joplin, Rolling Stones, Pixies, Dire Straits, Jimmi Hendrix e outros menos aguardados - quando os holofotes foram mostrando Lennon, George, Paul e Ringo, que lembrei-me do Bob tentanto me dizer que os Beatles estariam juntos! E eu tinha entrado sem minhas credenciais! Tentei falar com os guardas, mas eles estavam tão transtornados com a multidão, que parecia ter triplicado de tamanho ao notar quem estava no palco, que me brindaram com o cacetete na cabeça (por incrível que pareça a ressaca sumiu na hora - talvez porque eu tenha passado a me preocupar com o sangue que jorrava da minha sobrancelha direita e me melava o pescoço). Ainda não sei como foi que os meus óculos não caíram.
Resumindo: Não entrevistei Bob Geldof direito, não vi John Lennon e não consegui ouvir 'Come Together' com os Beatles! Nem vou contar ao lado de quem que eu fui amanhecer na cadeia de Londres. Isso é assunto para outro papo...
21/12/2008
FIREMAN
19/12/2008
05/12/2008
TV SHOW - NATAL 1977
31/08/2008
O DISCO
É uma pena que não se perceba muito bem, mas esta é uma fotografia do disco mais raro da Terra. E está autografada por John Duff Lowe. Quem é ele? Continue a leitura...Trata-se de um disco único, atualmente na posse de Paul McCartney. O disco foi gravado em 1958 pelo conjunto Quarry Men, no estúdio caseiro de um aborrecido Percy Phillips, em Kensington, Liverpool.
É um 78 rotações em goma-laca e contém no lado A "That'll Be The Day", de Buddy Holly, e no lado B "In Spite Of All Danger", a única canção composta pela dupla McCartney/Harrison.
Pelo preço que pagaram, não foi permitido aos componentes do conjunto nenhum erro, além do quê a música que comporia o lado B foi decidida no momento da gravação! Lowe e Hanton sequer tiveram tempo de ouví-la antes de gravar! Quem é Hanton? Continue...
O disco tem 10 polegadas de diâmetro e está escrito à mão por Paul McCartney, sem indicação do nome do grupo. Foi gravado por menos de €1,5, a preços atuais. Aliás, o disco só foi entregue aos rapazes quando o proprietário do estúdio, aquele aborrecido Percy, recebeu o €1,5, o que ainda demorou algumas semanas.
O Quarry Men era formado por John Lennon, 17 anos - 09/10/40 (guitarra), Paul McCartney, 16 anos - 18/07/42 (guitarra), George Harrison, 15 anos - 25/02/43 (guitarra), John Duff Lowe, 12 anos - 21/07/45 e o protagonista do autógrafo (piano) e Colin Hanton, 19 anos - 12/12/38 (bateria). Pronto!

O disco circulou por todos os membros da banda e ficou esquecido durante 23 anos em casa de John Duff Lowe, que o cedeu (por uma nota preta, presume-se) a Paul McCartney em 1981.
"-Quanto Paul pagou pelo disco é um segredo entre mim e ele.", disse Lowe.
A "Record Collector", que sabe dessas coisas, diz que o disco não tempo preço. Assim que colocou a mão na raridade, Paul encomendou 50 réplicas e ofereceu-as de presente de Natal a George Harrison e Ringo Starr (John Lennon já tinha sido assassinado), a amigos e família. Este número restrito de cópias tem o segundo maior valor de mercado da história do disco, a seguir do original. A "RC" estima que cada réplica vale umas £10.000.
Em 1995, os Beatles incluiram as duas canções no primeiro volume da "Anthology". Quer ouví-las tais como estão no disco original? É só aumentar o volume e clicar abaixo:
30/08/2008
TIME TO GET BACK
Direto do http://www.diabaquatro.com/category/blog : O CD Sound of Silver do LCD Soundsystem traz o homem-banda James Murphy ainda mais criativo, com músicas dançantes e letras bacanas. Inspirado com tudo isso, o francês DJ Moule resolveu usar as batidas da música Time to Get Away e dar uma renovada em um clássico dos Beatles: Get Back. A mistura ficou boa? Aperte o play, aumente o som e depois dê sua opinião pelo TAKE! 20/08/2008
O QUARTETO SELTAEB
Entre 1780 e 1850 em Viena, Áustria, não havia problemas de 'nacionalidades' entre os habitantes, por mais variadas que fossem suas origens. Se algumas vezes caçoavam da pronúncia de um belga nas canções, comédias ou operetas, isso não afetava a unidade total da população, coisa que não se via na França, pois ali a gozação sobre o jeito de falar dos marselheses era proeminente.Pois bem, nesta Viena, na mesma época em que acolheu Mozat, Schubert, Lanner e Strauss, cujo povo apreciava desde o realejo até a admirável maestria da Hofmusikkapelle, esteve ali por alguns anos o competente quarteto Seltaeb, formado por músicos oriundos da Grã-Bretanha.
Esses músicos, de extremada originalidade e por isso tidos como 'muito ousados e descabidos', eram tão diferenciados em relação a outros grupos, que o próprio Mozart nutria por eles uma grande admiração, logo nos seus primeiros anos vivendo em Viena.
Foi após uma apresentação do quarteto, que executou a peça 'Little Child' no jardim de Augarten, demoradamente aplaudida pelo público presente, que travou-se o primeiro encontro entre Mozart e o Seltaeb.
Mozart ficou tão encantado que decidiu fazer ali também, no jardim de Augarten, a sua primeira audição pública. Aliás, como se sabe, Mozart só se sentia realmente bem quando se via misturado com o povo em eventos como estes.
Por várias vezes, após as festas ou apresentações, as discussões sobre música entre Luap, Nonnel, Egroeg, Ognir e Mozart amanheciam, pois a sintonia dos seus gênios universais e simplificadores conseguiam quase sempre fazer de um amontoado de notas musicais uma peça nova e arrebatadora.
Todos os cinco eram artistas puros, que compunham, montavam e sonhavam ao sabor das suas fantasias, com a contundência paradoxalmente leve e amorosa que somente eclode nos grandes artistas.
Porém, e infelizmente, tais reuniões aconteceram muito pouco. O próprio trabalho de Mozart - que o detestava, pois era obrigado a executar suas criações em locais onde a nata da sociedade vienense costumava frequentar, como o salão de baile no Redoutenstadt - e as constantes brigas dentro do quarteto - Luap interferia muito na maneira de Egroeg compor ou acompanhar suas peças, com colocações do tipo: "-Seria preciso, aqui, uma ária de ação, que revele paixão, mas que não seja patética, que não seja cantabile.", no que Egroeg sempre respondia: "-Tocarei como você quiser, e se não quiser, não toco.", foram fazendo com que eles se vissem cada vez menos.
Além disso, a própria liderança do quarteto, atribuída a Luap, mas perturbada pela posição firme e incisiva de Nonnel, consistia numa outra mazela que viria a se juntar com outras, desencadeando o fim da promissora sociedade.
A possibilidade de uma revigoração nos seus laços pessoais e profissionais enfraqueceu bastante com a sentida morte de Mozart em 1796, já que ele era um grande incentivador dos quatro músicos e, de uma forma ou de outra, os mantinha sintonizados numa ou noutra peça a ser iniciada ou concluída.
Por fim o assassinato de Nonnel em 1800, quando voltava de um ensaio, veio a selar o destino malfadado do Seltaeb.
Luap, Egroeg e Ognir tentaram carreiras solo, mas a eles já estava colada a pecha de 'ousados demais'. Se o próprio quarteto, com a recomendação e incentivo do conceituado e respeitado Her Mozart, não teve oficialmente nenhuma de suas peças registrada para a posteridade, não é inconcebível o fato deles não terem seus nomes lembrados na história da música ocidental.
Soma-se a tudo isso, ainda, o fato de que a vida dos quatro, principalmente a de Nonnel, foi pontuada por muitas decepções, injustiças e dissabores, porque a 'leviandade da cúpula musical vienense', no fundo, não percebia seus gênios - como não perceberia o gênio de Schumann, meio século depois -, além, é claro, de não quererem colocar em risco as suas posições na modorrenta sociedade.
Há notícias, não comprovadas, de que a canção 'Hey Nannerl', supostamente composta para a irmã de Mozart que abandonara a música muito cedo; a fantasia musical 'Good Night Viena', atribuída a Ognir; a ópera completa 'Sargent, Sargent', com frases melódicas, movimentos extremamente inovadores e situações nunca antes desenroladas num palco; todas elas escritas em partituras e detalhadas em textos no bom e velho inglês, foram enterradas por um serviçal dos Seltaeb num local chamado Strawberry Fields em Liverpool, Inglaterra.
Alguns estudiosos, na tentativa de encontrá-las, comandaram escavações secretas no terreno durante a última década de 1.980, sem sucesso.
Vizinhos dizem que seria difícil achar alguma coisa enterrada no local, pois vários garotos que ali gazeteavam aulas no final dos anos 50 reviravam o chão escondendo cigarros e bebidas para voltarem depois e consumí-los. "-Certa vez" - lembra um senhor de 88 anos que não quis se identificar -, "três deles retornaram trazendo violões e ficaram a tocar durante a noite toda...".
14/08/2008
O BAILE
Depois do sexto ou sétimo chope Tabken levantou e bradou: "- Nesta passagem de ano vou me esbaldar rodeado de vadias! Não quero nem saber!". Sommk, que estava fulo com Tabken por ele ter vindo primeiro pelo Portal Norte, não se conteve e envenenou: "- Mas a sua família não está neste espaço-tempo!". Sob o efeito do bom e venerado álcool do século XIX, Tabken voltou-se para mim e para Derrion retrucando numa espantosa calma: "- Estão vendo? Acabo de provar que quem bebe nem sempre é o tonto!". E encarando o colega respondeu: "- Eu já lhe disse, Sommk, que essas viagens pelo tempo acabariam afetando o seu cérebro de ervilha! Faça um esforcinho vai: tente se lembrar que eu ainda não me casei com a sua irmã e, portanto, eu não poderia estar me referindo a NOSSA família!".Sommk, que não bebia nada alcoólico, além de ser o mais tenso de nós quatro, levou a mão no estilete-laser mas Derrion, o líder da expedição 1886-7W, tinha ligado o aparelho sônico de comunicação telepática e mentalizara aquilo que soou como uma repreensão e uma ordem: "- Parem com essas frescuras! Vamos nos concentrar para finalizarmos logo essa tarefa!". Como se não bastassem os seus extraordinários conhecimentos científicos, o comandante Derrion possuía um diferenciado controle emocional e conseguia manter, com muito carisma e objetividade, uma aceitável harmonia entre nós quatro, mesmo tratando-se de gênios terrivelmente diferentes.
Nesta missão específica estávamos em busca de sementes de algumas frutas que serviriam de matrizes para clonagens. O Novo Conselho Unimundial estava decidido a proceder rapidamente o reflorestamento do leste da Ásia, totalmente devastado nos cinco anos finais do século XXIII, agora já livre das perigosas radiações. Mesmo tendo que aturar as constantes discussões entre Tabken e Sommk, a nossa equipe era a mais eficiente nas missões que compreendiam pesquisas biontológicas veladas e colhimento, sem choques espaciais-temporais, de amostras orgânicas e minerais nos anos abaixo do século XX.
Derrion 3Gla Nenx havia se formado em Engenharia Espaço-Tempo no ano de 2.604 na Índia e dois anos depois concluíra, com distinção, o seu Mestrado Eletrotelepático pela Celebridade Tônus de Saturno. Depois de apenas quatro meses no Estágio Lunar, Derrion assumiu o Comando Operacional das Missões Espaço-Tempo Unimundiais, com base no Suriname. Diga-se de passagem que em 2.599 - com apenas 15 anos de idade material - ele levou a Medalha Primeira-Louvor no concorrido certame de Aptidões Intelectuais Vertentes no panteão submarino de Atlântida, profundidade setentrional entre o que restou do Brasil e a África.
Apesar do seu raciocínio pender para a lógica, tanto para a concreta quanto para a agora aceita - e complicadíssima - lógica abstrata, Derrion gostava de compor e de cantar Rock and Roll, um tipo primitivo de música que fez muito furor até as vésperas da grande hecatombe mundial no ano de 2.307. E o fazia com a mesma intensidade, dedicação e esmero dos seus cálculos e projeções plurienergéticas temporais. Sempre que nos encontrávamos, nas horas vagas, ele me mostrava um ou outro conjunto musical do século XX, que eu ouvia com prazer, pois eram mesmo construções melódicas interessantíssimas e belas. Assim fui conhecendo cada vez mais as histórias e os acontecimentos culturais daquela época e até mesmo aprendendo a tocar - muito mal - um tal de contrabaixo...
O melhor episódio que eu conhecia de Derrion tinha se desenrolado no baile da sua formatura - eu me formaria dois anos depois e estava ali servindo os drinques. Era também o encerramento ecumênico anual da universidade de Rishikesh na Índia. Com o desaparecimento de Nova Dehli no ano de 2.517, Rishikesh tornara-se o novo centro mundial das engenharias. A reconstrução do Taj Mahal nas suas proximidades fora de tanta felicidade que quase ninguém mais se lembrava do seu lugar original. Pois bem. Ali, no salão-mor, o evento transcorria alegremente quando a comissão de formatura foi avisada de que o teletransporte América Seis sofrera uma pane e que o conjunto que tocaria no baile não poderia estar presente (só depois de algum tempo eu soube que a pane fora causada pelo próprio Derrion, ao implantar um vírus de duração ínfima num programa de comando de um dos vórtices eletromagnéticos).
Orador da turma, e com a maior cara de inocente, Derrion solicitou ao Reitor-Mestre que o permitisse dar uma olhada no computador central do teletransporte para, quem sabe (!!), tentar descobrir onde estava o problema. A sua habilidade era realmente estupenda - o Reitor-Mestre bem o sabia - e, tendo obtido o consentimento, fingiu digitar comandos no teclado enquanto o vírus expirava naturalmente... Tudo estava dando certo!
Destravado o sistema, o espertíssimo formando então iniciou a configuração das coordenadas vetoriais que trariam o conjunto contratado mas, ao invés disso, as apontou para Londres, no ano de 1.970. Naquele ano, momento e local, Derrion sabia que músicos que ele tanto adorava estavam reunidos num estúdio de gravação produzindo um novo trabalho. Eram eles: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, denominados The Beatles. Assim, em poucos segundos, a sala onde os quatro rapazes se encontravam, e todos os seus estranhíssimos instrumentos musicais, foi materializada no gigantesco palco do salão-mor, gerando sussurrados comentários dos presentes, pois parecia não ser aquele o grupo aguardado. John, Paul, George e Ringo conversavam e acertavam detalhes referentes à execução da próxima canção e nada notaram de diferente. Isto porque, após o corte seccional e a efetivação motora-físico-energética do teletransporte, apenas as paredes da sala foram trocadas por projeções holográficas. Todavia quem estivesse do outro lado delas, ou seja, a realidade absoluta do ano de 2.609, podia enxergar amplamente o que se passava lá dentro.
Sendo assim, Derrion percebeu que John Lennon estava para abrir uma das portas, talvez para buscar um outro instrumento, e rapidamente postou-se na frente dela. John, ao abri-la, deu de cara com Derrion e com um local que parecia tudo, menos o corredor dos estúdios da Abbey Road. Mais ao fundo ele notou pessoas sorrindo em sua direção, com cálices brancos nas mãos.
Antes que ele pudesse dizer algo, Derrion adiantou-se: "- Muito prazer, John. Sou Derrion, do ano de 2.609.". Lennon tirou nervosamente os seus óculos redondos, passou as mãos nos olhos, encarou Derrion e respondeu: "- Eu não sou John Lennon, seja lá quem você for! Sou a Brigitte Bardot! E quando eu pegar aquele cara que me vendeu um 'bagulho de primeira' vou enchê-lo de porradas!". "- Calma John, eu posso explicar.". E Derrion fez uma rápida síntese sobre o porque deles estarem lá e da honra que seria ouvi-los tocar e cantar ao vivo. "- Por favor, vocês podem fazer isso?". "- Um fã do século XXV?". Perguntou John. "- Sim! E a partir de hoje serão muitos mais, tenho absoluta certeza!". John voltou para a sala, trancou a porta com a chave, colocou-a no bolso e disse para os outros beatles: "- Vamos passar cinco músicas seguidas, certo? Do outro lado da sala estão 398 pessoas do século XXV esperando a gente fazer um som bem legal e eu não quero decepcioná-las!". Paul, George e Ringo trocaram uma olhadela e caíram na risada.
Eu soube depois que, apesar das últimas sessões de gravação terem sido muito tensas, eles não precisaram dizer um para o outro que aquele dia ia ser bem produtivo. E eu entendi naquele momento, pelos seus semblantes descontraídos, como era bom contar com o velho e fantástico humor de um cara chamado John Lennon.
A MUSA
Após bater a porta do seu Aston Martin e acelerar com vontade, Paul McCartney sentiu uma presença no banco de trás do veículo. Ali, deitada tranquilamente e não se importando com os rápidos sacolejos do carro, uma garota dormia pesadamente.Paul levou um susto e brecou estrondosamente, porém nada disso perturbou aquela figura que continuava a dormir como se nada estivesse acontecendo.Com cuidado ele a tocou levemente no ombro e teve uma arrepio. Como ela era suave! Nesse momento a esfinge abriu os olhos e o encarou tão ternamente que ele teve a estranha sensação de que já a conhecia há bastante tempo. Disfarçou a surpresa e, sentindo uma onda de calor invadir-lhe o pescoço, murmurou: "- Er... Olá... Quem é você? E o que faz aqui no meu carro?". "- Ora, Paul... Sou eu, Jude.". Disse ela no meio de um gostoso espreguiçamento. "- Jude?". "- Sim, a Jude da sua canção.". "- Hey... Jude?". "- Sim, qual outra Jude mais?".
"- Olha moça" - agora era Paul quem a encarava -, "não sei que brincadeira é essa, mas aquela canção não foi escrita para uma mulher.". "- Você é quem pensa, Paul.". Devolveu ela com um sorrisinho matreiro. "- Como? Ora, fui eu quem fez a canção e agora vem você, e sei lá quem você é realmente, e diz que é a 'moça da canção'?". "- Sim, Paul.". E Paul continuou: "- Isso só pode ser uma brincadeira do Ringo! Ah! Só pode ser! Quando encontrá-lo vou socar aquele narigão! Ah! Se vou! Pode confessar, garota: é uma brincadeira dele, não é?". "- Claro que não, Paul. Nem Ringo, nem John e nem mesmo George podem me ver, só você.". "- Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Mais essa! Como isso é possível?".
"- Paul, nós planejamos contar a você, porque, inclusive, você já começou a compor uma outra música com o nome de uma futura mulher sua.". "- Nós planejamos? Futura mulher minha? Oras, estou muito feliz com a Linda!". "- Calma. Você se casará outra vez.". "- O quê?". "- Sim! Uma pessoa entrará na sua vida num momento de dor e o fará tão feliz e disposto que você terá vontade de correr o mundo novamente! Só que depois...".
Paul coçou levemente a cabeça e pensou: "Devo estar tendo alucinações...". Daí ele virou-se para ela e perguntou: "- Mas você disse 'nós planejamos contar à você...'. O que significa 'nós'?". "- Ok, vou explicar... Tudo começou com Anna.". "- Anna?". "- Sim, da música 'Anna' do primeiro disco dos Beatles.". "- E o que tem ela?". "- Bom, ali houve um impensado paradoxo no mundo das musas. A Anna, que foi feita por Arthur Alexander, apaixonou-se por você, Paul. Ela queria, por que queria, confessar isso a você e tal acontecimento poderia desencadear uma revolta das musas que se apaixonaram por intérpretes e que nunca se rebelaram. Então, após várias reuniões dos celestes maestros do Castelo das Inspirações Musicais, eu fui designada a trazer-lhe essa verdade e, com isso, deixar a Anna calada e tranquila, sabendo que você seria informado de que será muito feliz, por algum tempo...".
"- Que gracinha... Não diga!". "- Sério!". - Uma revolta das musas?". "- Sim!". "- Quer dizer também que existe 'realmente' uma Michelle?". "- Sim, Paul, mas isso você bem sabe...". "- O que você sabe realmente sobre a Michelle? Diga!". - Exasperou-se Paul olhando para os lados temendo estar sendo ouvido.
"- Calma, Paul. Não estou aqui para falar sobre ela.". "- Afinal, é para o quê então?". "- Para dizer que você já começou a compor a música com o nome da mulher que será muito importante na sua vida, mas que trará muita dor de cabeça também. E você fez essa música junto do Donovan.". "- Donovan?". "- Sim, pense.". "- ... Hum... Ah! Mas você deve estar louca! A música que comecei a fazer, e nem terminei, chama-se 'Heather' e é para minha enteada!".
E sem abrir a porta, desaparecendo num leve piscar de olhos, a linda visão ainda sussurou graciosamente: "- Aguarde meu querido Paul, aguarde...".
SHARING LIVES!
Dizem que James Sharing havia morrido há 2 milhões de nanossegundos num crash horrível do HD.No início dos anos 00 ele era visto com Johnny Lan e Mr. Quiet G-Force em ambientes Windows e Mac, quando resolveram montar uma music-software-house: Hard Softwere (dizem que Johnny havia sonhado com o pinguim do Linux voando num mouse flamejante e gritando: - Softwere! Softwere! Com "e"!).
Tudo ia bem, mas o baterista periférico disponível, Pete Http, não conseguia acompanhar muito bem os downloads em público, além de nunca se empenhar o bastante em passar energia suficiente para a placa-de-som. Dizem que ele tinha proteção da placa-mãe. Casbah!
Por uma sorte dessas que acompanham quem é competente e está destinado ao topo, a Hard Softwere teve Pete desconectado em comum acordo pelo pacote JoPaGe, com o total aval do processador-mestre GM. Com isso, fez-se a transferência de um tal Richard Byte, que estava em total looping dentro de um pequeno furacão cibernético, sendo então renomeado para RING (Randomic Included Nose Guaranteed).
Aí a coisa começou a acontecer. Do arcaico, porém fantástico, programinha Cavern ao mais sofisticado sistema Apple, o sucesso foi estonteante. É verdade que ocasionalmente eram atacados por alguns vírus leves, como o grego Magic Alex e o indiano Maharishi, que apenas confundiram a mémoria RAM de cada um (dizem que a memória de James Sharing foi a mais atacada, inclusive inspirando-o a lançar um CD solo muitos anos depois, o estupendo RAM). Foram acometidos também por outros vírus mais sérios que fizeram bons estragos, como o terrível worm-Klein e o heavy-Yoko, este último tão poderoso que até passou a fazer parte da CPU, em total compatibilidade com Johnny Lan, eternamente infectado...
Assim, tendo passado por tantos momentos, inclusive perdendo um componente da configuração inicial, o STUSUT, a Hard Softwere nunca admitiu qualquer upgrade depois da entrada de RING e continua muito procurada no mercado. Recentemente lançou um produto totalmente renovado, sem tantos periféricos e acessórios, naked, mas de tamanha eficiência que, depois de tanto tempo do lançamento original, ainda conseguiu renovar arrepios e suspiros.
Alguém duvida que James Sharing está vivo e aprontando mais do que nunca?
A MÁQUINA DA PAZ
Alex Drad chegou um pouco antes. Ele sabia exatamente o horário e o local, mas estava com receio de não reconhecer o perturbado rosto a tempo. Mas foi fácil. Para quem sabia o que iria acontecer aquele semblante era obtuso demais para passar despercebido. Não teve dúvidas, lá estava o maluco, com o LP do Double Fantasy nas mãos. Quem olhasse para aquele sujeito tão comum, e muitos o fizeram, não desconfiaria da grande besteira que ele estava por fazer. Sem se deixar notar, Alex se posicionou de forma estratégica, bem em frente ao Dakota. Quando John saltou da limousine, Alex quase não conseguiu sair do lugar. Era emocionante demais ver o ídolo ali tão de perto e exalando tamanha serenidade: característica dos que se sabem grandes.(com colaboração de Alexandre de Freitas Andrade)
07/08/2008
PARA RESPEITAR RINGO
1. Ringo foi o primeiro verdadeiro baterista rock a ser visto na TV. Todos os bateristas de Rock & Roll que se apresentavam com Elvis, Bill Haley, Little Richard, Fats Domino e Jerry Lee Lewis eram sobretudo bateristas deR&B (Rhythm & Blues) que tentavam fazer a transição de um estilo swing, próprio das décadas de 40 e 50, para um estilo mais pujante, associado a "I Want To Hold Your Hand". Apresentavam-se de fato e gravata segurando as baquetas numa forma "tradicional" familiar a bateristas militares, de orquestras ligeiras e de jazz. Ringo mostrou ao mundo que era preciso força para por enfâse na palavra "rock" do estilo Rock & Roll. Assim, ele agarrou as suas baquetas como se fossem martelos construindo dessa forma uma das fundações primordiais da música rock.2. Ringo alterou o modo como os bateristas seguravam as baquetas, tornando popular o modo "matched". Quase todos os bateristas anteriores a Ringo seguravam as baquetas de uma forma "tradicional", segurando a baqueta esquerda como se de um "pauzinho chinês" se tratasse. Essa forma"tradicional" foi fomentada pelos bateristas militares que, com o tambor a tiracolo, necessitavam segurar as baquetas de uma forma que lhes fosse permitido tocar. A forma implementada por Ringo altera por completo essa forma primitiva, equiparando mãos esquerda e direita.
3. Ringo iniciou uma tendência de colocar os bateristas em estrados elevados de forma a torná-los tão visíveis como os restantes dos músicos. Quando Ringo apareceu no Ed Sullivan Show, em 1964, ele captou de imediato a atenção de milhares de futuros bateristas ao apresentar-se por cima dos outros três Beatles. Ao invés, o baterista de Elvis só via as costas dos seus companheiros.
4. Esses futuros bateristas tiveram também oportunidade de reparar que Ringo tocava numa bateria Ludwig, facto que os levou a correr para as lojas em busca deste tipo de instrumento, e assim estabelecendo a Ludwig como um nome emblemático no panorama das baterias da época.
5. Ringo alterou o som da bateria nas gravações. Ao tempo de Rubber Soul (lançado em 6 de Dezembro de 1965) o som da bateria começou a tornar-se mais distinto. Contando com a preciosa colaboração dos engenheiros de som dos estúdios EMI em Abbey Road, Ringo popularizou um novo som da bateria afinando-a num tom mais baixo, abafando o som e fazendo com que soasse mais perto, através da colocação de microfones em cada peça.
6. Ringo tem um ritmo quase perfeito. Esse fato permitiu aos Beatles gravar uma música 50 ou 60 vezes e depois editá-la por composição das melhores partes, por forma a alcançar a melhor versão possível. Hoje em dia é usado um metrônomo eletrônico para esse mesmo propósito, mas naquela época os Beatles tiveram que depender de Ringo para manter a consistência da batida através de dezenas de takes. Se ele não possuísse este dom as gravações dos Beatles soariam, por certo, de forma diametralmente diferente.
7. O feeling de Ringo pela batida serviu de norma tanto para produtores como para bateristas. É relaxado mas nunca desleixado. Sólido mas, ainda assim, sempre solto. E sim, existe uma grande dose de bom gosto musical nas suas decisões do quê e quando tocar. Na maior parte das sessões de gravação a atuação do baterista funciona como barômetro do resto dos músicos. A direção artística, dinâmica e emoções são filtradas através do baterista. Se o baterista não se sente bem a atuação dos restantes músicos está condicionada a ele. Os Beatles nunca, ou raramente, tiveram esse problema com Ringo.
8. Ringo detestava solos de bateria, o que deverá fazer com que ganhe pontos junto de algumas pessoas. Apenas fez um solo com os Beatles. Esse solo aconteceu durante o tema "The End" no lado B de "Abbey Road". Alguns podem dizer que esse solo não é grande mostra de virtuosismo técnico, no entanto estarão pelo menos parcialmente incorretos. Quem quiser pode colocar um metrônomo, configurado para marcar 126 batidas por minuto, lado a lado com o solo de Ringo e verão que os dois permanecerão exatamente juntos.
9. A capacidade de Ringo para tocar em compassos invulgares empurrou a escrita de temas musicais para áreas nunca antes alcançadas. Dois exemplos disso são "All You Need Is Love" em 7/4 e "Here Comes The Sun" com passagens repetidas em 11/8, 4/4 e 7/8, no coro.
10. A habilidade de Ringo para tocar os mais variados estilos musicais como swing ("When I'm Sixty-Four"), baladas ("Something"), R&B ("Leave My Kitten All Alone" e "Taxman") e country (todo o álbum Rubber Soul) ajudou os Beatles a enveredar por diferentes direções musicais sem esforço de maior. A sua experiência anterior aos Beatles, como músico de night clubs serviu-o bem.
11. A idéia de que Ringo era um sortudo no grupo é completamente errada. De fato, quando o produtor George Martin se mostrou descontente com a atuação do baterista original Pete Best, Paul, John e George decidiram contratar aquele que eles consideravam o melhor baterista de Liverpool - Ringo Starr. A sua personalidade foi um bônus.
12. Os rumores de que Ringo não tocou em muitos dos temas do Beatles por não ser suficientemente bom é também radicalmente falsa. De fato, ele tocou em quase todos os temas dos Beatles que incluem bateria à exceção dos seguintes: "Back In The USSR" e "Dear Prudence", em que Paul toca bateria pelo afastamento temporário de Ringo, por problemas de saúde. "The Ballad Of John And Yoko", com Paul mais uma vez na bateria, porque Ringo estava fazendo um filme. E também na versão de 1962 de "Love Me Do" que contou como baterista Andy White.
13. Quando os Beatles se separaram e tentavam cada um por si afirmar-se só, John Lennon escolheu Ringo para tocar bateria no seu primeiro disco. Tal como John disse um dia "If I get a thing going Ringo knows where to go,just like that". Um grande compositor não pode desejar mais de um baterista. Exceto talvez que sorria e abane a cabeça.
3º SINGLE
Londres - O terceiro single da dupla Lennon/McCartney, Make The Difference, que será lançado neste final de 2.008, tendo uma música de Dhani Harrison no lado B, Join To Us (apesar de ter se especulado de que seria uma canção de Sean Lennon), com certeza baterá mais um recorde de vendas e não estará disponível nos sites oficiais para download. Recapitulemos: o mundo pop entrou em polvorosa quando na véspera do Natal de 2.006, numa entrevista para a BBC, Lennon anunciara que ele e Paul McCartney haviam composto uma canção, One Day Everything Will Be Better, para arrecadação de fundos em prol das crianças que perderam os pais no último terremoto na Armênia e que ela estaria disponível em vários endereços eletrônicos, no caso do Brasil na página 3SINGLE, com uma taxa de download a U$5,00. Na época Paul McCartney, envolvido na produção do seu novo CD Memory Almost Full, apenas disse que eles a fizeram por uma boa causa, sem muitas pretensões ou pensamentos sobre "here, there and everywhere", conforme suas próprias palavras, e completou: "- Se nos olhássemos e tudo voltasse à tona nós nunca comporíamos mais nada. Mas não aconteceu isso. De repente eu estava apenas fazendo o que eu mais gosto na companhia de um velho amigo". A canção congestionou o servidor principal do site e teve que ser disponibilizada em outros tantos. Nunca uma música arrecadara tanto através de downloads e nunca dera tanta dor de cabeça a internautas enlouquecidos para baixá-la pelo mundo inteiro. Ringo Starr, baterista dos Beatles, o antigo grupo de John Lennon, Paul McCartney e George Harrison, e hoje um famoso vinicultor na França, perguntado se John não havia sido ingênuo em provocar tamanha confusão na rede mundial de computadores, repetiu com a mesma calma e mesmas palavras de quando John foi taxado de louco por posar nu na capa do seu LP Two Virgins: " - Ora, ele apenas está sendo John". 14/04/2008
A BANDEIRA BEATLE
O universo beatle chega a ser mesmo sublime. Alguém tem dúvidas de que os fabfour foram colocados pelas mãos de Deus no local certo, na época certa e com as cabeças certas? O mundo precisava deles! E ainda tem gente que não acredita no Cara...Os Beatles foram um sopro divino: alentador, rejuvenescedor e questionador de ações sociais e políticas numa época em que quase tudo cheirava a desesperança, clausura e estagnação. A reconstrução do mundo após a 2a. guerra, que vinha lenta e quase sem inspiração, ganhou as cores da alma da renovação com os Beatles. Várias situações começaram a ser questionadas e por onde eles passavam notava-se a aura magnífica do Amor, da Esperança e da força da Vida. E, claro, muita, muita coisa foi mudando.
De repente era possível dar as mãos, sorrir na rua sem motivos aparentes e amar alguém sem hipocrisias e tabus absurdos. Muitos, que sequer eram notados, tiveram sua voz reconhecida, pois um elo de posicionamentos e descobrimentos foi se fortalecendo. Barreiras castradoras foram sendo minadas, sem uma bomba, sem uma imposição dogmática, sem um pingo de sangue derramado. A contra-partida da violência imposta não deu de cara com um exército truculento. Deu de cara com a arte e com uma revolução armada até os dentes de flores, amor, compreensão, carinho, apoio e respeito aos sentimentos - as maiores armas que se pode ter notícia.
A resistência foi implacável e mártires surgiram, porque a bandeira do bem é hasteada também no campo fértil de sacríficios e atos heróicos de gente que vislumbrou e apostou num futuro melhor. Os Beatles provaram e comprovaram que tudo que nós precisamos é de Amor: 'All we need is love' é a mais perfeita frase que um coração pode pulsar.
Está tudo bem então? Não. Ainda vemos desmandos, intolerâncias e arrogâncias insuportáveis, porém percebemos que não há tanto espaço mais para tais ações. A luta é eterna e por isso vemos, com muita alegria, emergir no mundo pensamentos, atos e posturas que tiveram suas raízes brotando de um terreno semeado também pelos Beatles.
Essa é a nossa luta: propagar cada vez mais a bandeira confeccionada com o mais fino e puro tecido, cujo tremular é sustentado pelo sentimento de maior poder em qualquer lugar ou época: o Amor, personagem maior na vida dos nossos incomparáveis ídolos.
Ídolos perfeitos? Claro que não, se os fossem quem teria a chance de fazer pintar cada vez mais cores num sonho que nunca vai acabar?








