7 de jul de 2016

76 ANOS! 13 MOTIVOS PARA RESPEITÁ-LO! VIVA RINGO!

1. Ringo foi o primeiro verdadeiro baterista do rock a ser visto na TV. Todos os bateristas de Rock & Roll que se apresentavam com Elvis, Bill Haley, Little Richard, Fats Domino e Jerry Lee Lewis eram sobretudo bateristas de R&B (Rhythm & Blues) que tentavam fazer a transição de um estilo swing, próprio das décadas de 40 e 50, para um estilo mais pujante, associado a "I Want To Hold Your Hand". Apresentavam-se de terno e gravata segurando as baquetas numa forma "tradicional" familiar a bateristas militares, de orquestras ligeiras e de jazz. Ringo mostrou ao mundo que era preciso força para por ênfase na palavra "rock" do estilo Rock & Roll. Assim, ele agarrou as suas baquetas como se fossem martelos construindo dessa forma uma das fundações primordiais da música rock.

2. Ringo alterou o modo como os bateristas seguravam as baquetas, tornando popular o modo "matched". Quase todos os bateristas anteriores a Ringo seguravam as baquetas de uma forma "tradicional", segurando a baqueta esquerda como se de um "pauzinho chinês" se tratasse. Essa forma "tradicional" foi fomentada pelos bateristas militares que, com o tambor a tiracolo, necessitavam segurar as baquetas de uma forma que lhes fosse permitido tocar. A forma implementada por Ringo altera por completo essa forma primitiva, equiparando mãos esquerda e direita.

3. Ringo iniciou uma tendência de colocar os bateristas em estrados elevados de forma a torná-los tão visíveis como os restantes dos músicos. Quando Ringo apareceu no Ed Sullivan Show, em 1964, ele captou de imediato a atenção de milhares de futuros bateristas ao apresentar-se por cima dos outros três beatles. Ao invés disso, o baterista de Elvis só via as costas dos seus companheiros.


4. Esses futuros bateristas tiveram também oportunidade de reparar que Ringo tocava numa bateria Ludwig, fato que os levou a correr para as lojas em busca deste tipo de instrumento, e assim estabelecendo a Ludwig como um nome emblemático no panorama das baterias da época.


5. Ringo alterou o som da bateria nas gravações. Ao tempo do álbum Rubber Soul (lançado em 6 de Dezembro de 1965) o som da bateria começou a tornar-se mais distinto. Contando com a preciosa colaboração dos engenheiros de som dos estúdios EMI em Abbey Road, Ringo popularizou um novo som da bateria afinando-a num tom mais baixo, abafando o som e fazendo com que soasse mais perto, através da colocação de microfones em cada peça.

6. Ringo tem um ritmo quase perfeito. Esse fato permitiu aos Beatles gravar uma música 50 ou 60 vezes e depois editá-la por composição das melhores partes, por forma a alcançar a melhor versão possível. Hoje em dia é usado um metrônomo eletrônico para esse mesmo propósito, mas naquela época os Beatles tiveram que depender de Ringo para manter a consistência da batida através de dezenas de takes. Se ele não possuísse este dom as gravações dos Beatles soariam, por certo, de forma diametralmente diferente.

7. O feeling de Ringo pela batida serviu de norma tanto para produtores como para bateristas. É relaxado mas nunca desleixado. Sólido mas, ainda assim, sempre solto. E sim, existe uma grande dose de bom gosto musical nas suas decisões do quê e quando tocar. Na maior parte das sessões de gravação a atuação do baterista funciona como barômetro do resto dos músicos. A direção artística, dinâmica e emoções são filtradas através do baterista. Se o baterista não se sente bem a atuação dos restantes músicos está condicionada a ele. Os Beatles nunca, ou raramente, tiveram esse problema com Ringo.

8. Ringo detestava solos de bateria, o que deverá fazer com que ganhe pontos junto de algumas pessoas. Apenas fez um solo com os Beatles. Esse solo aconteceu durante o tema "The End" no lado B de "Abbey Road". Alguns podem dizer que esse solo não é grande mostra de virtuosismo técnico, no entanto estarão pelo menos parcialmente incorretos. Quem quiser pode colocar um metrônomo, configurado para marcar 126 batidas por minuto, lado a lado com o solo de Ringo e verão que os dois permanecerão exatamente juntos. Ele, particularmente, gosta do que fez na música Rain. Incrível.


9. A capacidade de Ringo para tocar em compassos invulgares empurrou a escrita de temas musicais para áreas nunca antes alcançadas. Dois exemplos disso são "All You Need Is Love" em 7/4 e "Here Comes The Sun" com passagens repetidas em 11/8, 4/4 e 7/8, no coro.

10. A habilidade de Ringo para tocar os mais variados estilos musicais como swing ("When I'm Sixty-Four"), baladas ("Something"), R&B ("Leave My Kitten All Alone" e "Taxman") e country (praticamente todo o álbum Rubber Soul) ajudou os Beatles a enveredar por diferentes direções musicais sem esforço de maior. A sua experiência anterior aos Beatles, como músico de night clubs serviu-o bem.

11. A ideia de que Ringo era um sortudo no grupo é completamente errada. De fato, quando o produtor George Martin se mostrou descontente com a atuação do baterista original Pete Best, Paul, John e George decidiram contratar aquele que eles consideravam o melhor baterista de Liverpool: Ringo Starr. A sua personalidade foi um bônus.

12. Os rumores de que Ringo não tocou em muitos dos temas do Beatles por não ser suficientemente bom é também radicalmente falsa. De fato, ele tocou em quase todos os temas dos Beatles que incluem bateria à exceção dos seguintes: "Back In The USSR" e "Dear Prudence" do White Album, em que Paul toca bateria pelo afastamento temporário de Ringo, que, um pouco magoado pelos atritos dos companheiros, foi pescar com Peter Sellers na Sardenha (onde teve a ideia e começou a compor Octopus' Garden). "The Ballad Of John And Yoko", com Paul mais uma vez na bateria, porque Ringo estava fazendo um filme. E também na versão de 1962 de "Love Me Do" que contou como baterista Andy White.

13. Quando os Beatles se separaram e tentavam cada um por si afirmar-se só, John Lennon escolheu Ringo para tocar bateria no seu primeiro disco. Tal como John disse um dia "If I get a thing going Ringo knows where to go,just like that". Um grande compositor não pode desejar mais de um baterista. Exceto talvez que sorria e abane a cabeça.




Artigo da revista Modern Drummer, com algumas inserções minhas

4 comentários:

Lizzie Bravo disse...

bela iniciativa de traduzir esse texto - estou divulgando. abraços,
lizzie

Carlos Edu Bernardes disse...

Pois é, Lizzie. Há muita gente que não sabe a importância do Ringo como precursor de um componente de banda além de um marcador de ritmo e de alguém sem brilho. Ele foi esse cara. Ele praticamente mudou e deu uma incrível direção ao rock em relação aos bateristas, inspirando vários deles que vieram também a fazer história. Nas composições de John, Paul e George (além das suas, é claro) ele dava essa segurança e beleza (Come Together, por exemplo).A meu ver, todo respeito pra ele é pouco. Obrigado por divulgar! FABeijos!

Elias Nogueira disse...

Muito bom!

Carlos Edu Bernardes disse...

Viva o Ringão, Elias! FABraços!